Mente Sadia: O mal do século
Fevereiro 10, 2012 Nenhum comentário
A depressão tem sido apontada como o mal do século. Insisto em dizer que muitas coisas que já existiam e não eram reconhecidas, rotuladas, com o passar do tempo tomam proporções de espanto e novidade. Creio que a depressão seja uma delas. Mas vamos considerar que realmente tenha havido um crescimento vertiginoso dos casos de depressão e buscar entender a correlação com os dias atuais.
Com o aumento da luz da consciência, do conhecimento, o que estava na obscuridade vem à tona, são fatos, fenômenos e comportamentos. A eles, vamos dando nossas interpretações, com base naquilo que acreditamos, seja por percepção intuitiva, elaborada com os conhecimentos que fomos adquirindo ao longo da vida, ou interpretamos através dos outros, daqueles que saem na frente, por interesse, e formam uma concepção com valor de verdade absoluta.
A indústria que se montou e se sustenta em cima da depressão tem gerado muitos lucros àqueles que souberam e sabem aproveitar as oportunidades, mesmo que isto a longo prazo prejudique pessoas. Depressão, pela própria palavra, quer dizer: uma baixa, uma falta de força, uma diminuição na capacidade de ir adiante etc. Depressão também vive hoje a Europa, uma depressão econômica, a qual com certeza afetará a população acostumada a ter um padrão de vida mais abastado em comparação a tantas pessoas espalhadas pelo mundo.
Embora a recente crise econômica dos EUA, que mantêm relações comerciais com o Brasil, e agora a europeia, traga também consequências para cá, nosso país, acostumado à pobreza – em alguns segmentos –, está em clima de festa, de ascensão econômica, dando oportunidades de TER a uma grande parcela da população que vivia à margem dos bens de consumo. No entanto, is-to, por si só, não garante a alegria, a saúde mental, o entusiasmo pelo trabalho, o desejo de lutar, de progredir.
Mesmo com uma melhora na economia do país, as pessoas continuam tendo seus problemas, os quais em grande parte independem dos acontecimentos externos, mas por eles podem agravar. Pessoas que buscam se compensar através do ato de comprar vão da euforia à depressão, pois o incentivo para consumir, mesmo gêneros sem nenhuma necessidade, leva os menos avisados a comprometerem o orçamento se endividando. Para isto, uma armadilha dos nossos tempos é o incentivo a pagar com cartão.
O cartão não paga nada, é na verdade um meio pelo qual o sujeito contrai uma dívida para ser paga posteriormente, e como não tem de imediato a percepção do que está fazendo com seu dinheiro, acaba gastando além da conta. Se a propaganda fosse “Se endivide através do cartão”, o que seria mais correto!, serviria de alerta e possivelmente mudaria o comportamento dos mais compulsivos. Reafirmam-se em estudos e observações que uma boa parte dos deprimidos o são como uma forma reativa ao se submeterem aos apelos capitalistas e terem que dar conta do consumo desenfreado, mesmo que isto custe horas extras de trabalho, duplo emprego, carnês e cartões de crédito, enquanto outros, críticos ao sistema, se recusam a dele fazer parte e se tornam improdutivos, dependentes, incapazes de fazer uma mediação entre suas próprias necessidades e o que de fato precisam do mundo externo.
Perambulam feito zumbis, perdidos em suas próprias divagações. Neste caso, o que precisamos fazer é ter a ideia clara do que precisamos e encontrar os meios para obter, e não sermos conduzidos pelo o que os outros (comércio, indústria, serviços) dizem que precisamos, e ficarmos desesperados para obter aquilo que querem nos fazer crer ser imprescindível para nossa vida.
Por Herivelto Zuccaratto
