Mente Sadia – Meninos: exemplo de vida
Fevereiro 2, 2012 Nenhum comentário
Na semana passada, falava sobre o enrijecimento do ser humano ao passar do tempo e o quanto isto o impede de ter a Paz e a Felicidade. Hoje, iniciamos com o que seria o segundo exemplo daquele artigo.
Observando comportamentos, vejo um automóvel que para no meio da rua, sai o motorista, olha por baixo do automóvel, esbraveja: teria quebrado algo importante. Sugiro, para tirá-lo do meio da rua, tocar até onde estava meu carro, eu daria a vaga a ele para ter mais tempo para pensar o que fazer. Com a ajuda de outras pessoas, encostou rente a calçada, resolvendo parte do problema.
Saiu com um telefone à mão se queixando a alguém do outro lado. Ficou ainda mais bravo, pois lhe disseram para resolver o problema. Irritado, falando, gesticulando, tirou de dentro do automóvel – diga-se de passagem, em lamentável estado de conservação – um pequeno garoto que queria fazer xixi, e ali mesmo, no meio fio, aliviou sua necessidade mais imediata.
O adulto, intoxicado por uma história de vida, que sabe Deus qual é, mal podia interagir com a pequena criança, pois estava P da vida, iria pedir demissão – ao que tudo indica, trabalhava com o automóvel. Falava alto, para que todos ouvissem, os presentes e os ausentes, se é que isso é possível. Tinha feito o que devia, comunicou “o patrão”, chamou o mecânico, era só esperar. Mas não, resolvera desesperar, tornar pública sua revolta.
Enquanto o adulto, que tem a função de cuidar, dar exemplo, ser referência para as crianças, estava destemperado, possivelmente com a pressão alta, a diabetes acima de todos os limites, o pequeno, com sua pequena mão, pegou uma pedrinha e começou a bater com ela no piso da calçada, espantando umas formigas que por ali trafegavam. Estava completamente concentrado naquele brinquedo de assustar e seguir o caminho das formiguinhas assustadas. Em determinado momento, pensei que queria matá-las, mas não, queria que elas se movessem, se as matasse acabaria a brincadeira. Crianças têm essa faculdade, de se isolar em meio ao caos, em suas brincadeiras, se desligando daquilo que está longe do seu alcance e responsabilidade de resolver.
Nós, adultos, ficamos frios, passivos, ou entramos de cabeça na emoção do outro, queremos tomar providências, nos achamos ou responsáveis por tudo ou culpados por não interferirmos. Dificilmente, como aquele garoto, deixamos que o tempo se incumba de resolver coisas que não estão no nosso domínio e não é nossa responsabilidade resolver, acabamos por acumular problemas.
A sanidade passa pela postura que tomamos frente às demandas da vida, tudo de certa forma depende de nós, não os fatos em si, mas a maneira que escolhemos consciente ou inconscientemente de lidar com eles.
Como as crianças, às vezes, nós, adultos, deveríamos nos entregar mais a leveza da vida, a espontaneidade, a desobrigação. Possivelmente, continuaríamos responsáveis, pois quem construiu sua história pautada na educação não deixará de ser o que é. A proposta é que sejamos mais maleáveis conosco mesmos e com a vida.
Por Marcos Paulino
