Francamente: Não suporto novelas
Fevereiro 10, 2012 Nenhum comentário
Não suporto novelas. Acho que é o tipo de programa que afronta a inteligência. Longe de mim posar de intelectual que só assiste a canais culturais, pelo contrário, gosto de vários besteiróis. Mas novela, definitivamente, não dá. Há alguns anos, minha mulher ainda acompanhava uma ou outra. Para não ficarmos naquela de cada um num cômodo, eu fazia companhia a ela. Contudo, reclamava tanto das bobagens que via, que até ela, vítima da minha (má) influência, convenceu-se de que novela é chato demais.
Diga-me com quem andas e te direi quem és, compreende?
E, assim, vimo-nos livres de todos aqueles dramas que começam lá pelas seis da tarde e vão se sucedendo até depois das 10, espremendo noticiários entre eles.
Porém, e a vida tem muitos poréns, estávamos de férias semanas atrás e, no apartamento, só tínhamos acesso aos canais abertos. Nada de cabo ou satélite. Longe do “House”, do “Two and Half Men”, do “Big Bang Theory” e do “Grimm”. Privados dos canais de esporte. Alijados dos documentários. Triste. Assim, entre um programa religioso, um telejornal local chatíssimo e a novela, ficamos com a última, mas não foi uma decisão fácil.
Lá pelas tantas, a vilã, interpretada pela Christiane Torloni, via-se ameaçada por um rapaz que prometia revelar um vídeo, gravado em seu notebook, que a colocaria em maus lençóis. Mas ela foi salva pelo personagem de José Mayer, com inacreditáveis cabelos e barba longuíssimos e grisalhos. Num piscar de olhos, ele toma o computador das mãos do rapaz, localiza o arquivo e o apaga. O moço fica desolado por perder sua arma. Isso porque não tinha gravado arquivo de tamanha importância em nenhum outro lugar. Nem num CD ou pen-drive.
Quem precisa encontrar qualquer coisa em seu próprio computador sabe que essa tarefa, às vezes, pode levar um tempinho. E que, mesmo que se apague o arquivo, ele pode ser localizado na lixeira ou resgatado por um técnico.
Mesmo depois do stress, os personagens de Christiane e Mayer transaram tranquilamente. Ah, para completar, parece que Mayer interpreta o pai do rapaz que ele prejudicou. Bastaram tantos absurdos em uma só cena para que eu renovasse minha convicção de passar longe de novelas. Sou muito mais feliz sem elas. E, de quebra, ainda evito que meus filhos criem o hábito de acompanhá-las.
Sei que, a esta altura, tem muita gente me criticando. Paciência. É aquela velha história de cada um ter um gosto. Então, quem quiser assistir a qualquer uma das 800 novelas que passam na TV brasileira diariamente, que o faça. Tem todo o direito. Assim como aqueles que gastam seu tempo vendo um monte de gente chata confinada numa casa sem nada para fazer, a não ser picuinhas. Aliás, o que aconteceu com o “estuprador” do “BBB”?
Por Marcos Paulino
