Mente Sadia: Meninos

Janeiro 20, 2012 Nenhum comentário

Meninos, meninas, quando é que deixamos de sê-los? Penso que deixamos de ser criança quando perdemos a espontaneidade, quando, forçados pelo meio em que vivemos, temos que dar tchau a viver cada coisa a seu tempo, em nos deixar levar pelo momento.

Ao crescer, vamos TENDO que ser, e aos poucos vamos deixando de ser, de sermos espontâneos, de sermos naturais. As regras, as normas de conduta, vão se impondo, nos adestrando, como animais, a viver segundo o que esperam de nós. Ou nos rebelamos e nos tornamos marginais à nossa própria cultura.

Penso também que a felicidade e a paz estão nas coisas simples da vida, mais perto do que imaginamos.
Quando condicionamos a paz e a felicidade à alguma coisa, já estamos nos afastando delas.
Quando pensamos “Vou ser feliz quando tiver minha casa, meu carro, etc.”, estamos atrelando a algo a condição para sermos felizes. Neste momento, estamos nos aproximando da ideia de felicidade.

Assim também acontece com a paz, algo tão desejado, imaginado e pouco cons-truído, apropriado.
Nos apropriamos da nossa paz quando deixamos de condicioná-la a ter alguma coisa, a possuir algo. A como a paz é um sentir, independentemente das condições externas. Costumo dizer que é um estado da alma, pois vem da essência, de fonte limpa da vida, sem a contaminação do lixo social.

Como exemplos, vou transcrever a observação do comportamento de duas crianças, ainda bem pequenas, talvez por isso mais saudáveis do ponto de vista da não contaminação das obrigações que aos poucos lhes serão impostas. Uma você deve ter visto. Estava na internet e agora passou a fazer parte do comercial de um banco na TV.
Antes de falar do comercial propriamente dito, veja a perversidade do sistema capitalista, usa de recursos audiovisuais para iludir a população, oferecendo serviços e produtos aparentemente interessantíssimos.

Mas, na hora em que você vai adquiri-los, encontra mau atendimento, filas de espera, “um minuto só, senhor”, que dura horas etc. Talvez este viés sobre a loucura do sistema seja matéria das próximas semanas, mas vamos voltar ao ser criança e à propaganda citada.
Na propaganda, aparece uma criança, ao meu ver um menino, que ri muito ao rasgarem um papel, coisa que ele não consegue fazer sozinho. É contagiante não o sorriso em si, mas a intensa espontaneidade, coisa que os adultos perdem com o tempo e com isto perdem a paz, a alegria, a saúde.
O outro exemplo, na mesma linha de raciocínio, abrirá a coluna da próxima semana, já que, pelo tamanho do texto, preciso parar por aqui.

Por Herivelto Zuccaratto

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