Mente Sadia: Dia da família
Dezembro 12, 2011 Nenhum comentário
Oito de dezembro é considerado o Dia da Família, “célula da sociedade”. É na família que são transmitidos os valores, crenças, elementos do caráter na formação da personalidade das novas gerações. Equivocadamente, os mais conservadores e tendenciosos quiseram crer que a família “corretamente” constituída era a garantia de uma sociedade justa, honesta, politicamente correta, e, partindo desta linha de raciocínio, hostilizavam qualquer ameaça à estrutura familiar, como a dissolução do casamento, filhos que não fossem consanguíneos, uniões com sujeitos de outras castas. Mas as mentiras não subsistem ao tempo, dia ou outro a casa cai.
Os mais saudosos, resistentes às mudanças, conservadores de plantão, ainda se seguram nas cordas bambas do passado. Passado este encobridor de tantas verdades que mudaram a direção da vida de muita gente. Para manter a aparência do que se entendia correto, indivíduos eram desrespeitados na sua singularidade, sendo obrigados a ceder por conta do não envergonha-mento da família. A família, por sua vez, vergava frente à sociedade para manter a imagem.
Casais adotavam filhos e se mudavam para que este, em outra cidade, fosse reconhecido como filho legítimo. Adolescentes grávidas iam “passar férias” na casa de uma tia distante e só voltavam algum tempo depois de terem tido seus bebês e entregá-los a alguma instituição ou casal adotante à moda brasileira. Outras eram forçadas a abortar antes mesmo que alguém viesse a saber. Avós registravam seus netos, de mães solteiras, em seus nomes e os criavam como filhos, para manter a imagem da filha casta, pois do contrário teria dificuldades para se casar. Famílias mais abastadas mandavam seus filhos e filhas estudar fora, não por opção, mas por negação de uma orientação sexual fora do esperado. Campinas, Pelotas e outras cidades ficaram conhecidas pelo alto número de homossexuais. Não que estas cidades – como alguns acreditavam – produzissem mais homossexuais do que outras. É que, por serem um centro maior, atraíam das cidades do seu entorno jovens que tinham que sair de casa, da cidade, pela pressão social por conta de sua orientação sexual divergente da maioria. Era este o modelo de família que tínhamos e acreditávamos ser o correto, sendo que qualquer indivíduo que se contrapusesse ao status-quo seria um degenerado, passível de punição, bullying e isolamento.
Cada vez mais a definição de família tem se tornado elástica. Dizer a uma criança “Você nasceu da união dos seus pais, em outras palavras, do seu pai e da sua mãe. Seus irmãos e irmãs também nasceram da união dos seus pais. Seus avós maternos, sua avó e seu avô, são os pais da sua mãe…” pode ser uma grande mentira, pois esta é a definição de uma família à moda antiga, constituída por laços de descendência. Hoje o que temos são famílias de todos os tipos, inclusive com dois pais ou duas mães, meio-irmãos etc. Aumenta o número de famílias que emergem da necessidade afetiva, se sobrepondo à fisiológica.
Se em 8 de dezembro se comemora o Dia da Família, os mais progressistas têm dois motivos para comemorar: um é o Dia da Família, outro é a consolidação, neste país, das liberdades individuais, que consolidam-se num Estado democrático de direitos constitucionais e outros a serem reconhecidos.
