Francamente: Só leia se for corinthiano
Dezembro 12, 2011 Nenhum comentário
Era dezembro de 1982 e o Corinthians faria a final do Campeonato Paulista contra o São Paulo, em duas partidas. Eu estava naquela fase em que ainda se é criança, mas já se quer ser adolescente. E, corinthiano desde sempre, nascido numa família com pai e irmão são-paulinos, estava bem nervoso para aquela decisão. O Corinthians vivia um momento especial, era época da Democracia Corintiana.
Que eu não sabia muito bem do que se tratava, só entendia que aquele meio-campista alto e muito magro, o “doutor” Sócrates – porque também era médico e eu achava isso o máximo – liderava a equipe com ideias ousadas para um período de ditadura. Ele pregava que todos, do roupeiro ao presidente do clube, participassem das decisões, tendo votos com o mesmo peso. Num campeonato em que já havia imposto um 5 a 1 no Palmeiras, o Timão chegava àquela final com moral. Não deu outra: com duas vitórias, ficou com o título.
Lembro que comemorei como louco. Quis o destino que, no ano seguinte, Corinthians e São Paulo novamente se encontrassem na decisão. Os tricolores, desta vez, tinham um time forte, e eram favoritos. Eu já até tentava me conformar com a derrota. Mas o tal de doutor jogou demais e mais uma vez o título foi para o Parque São Jorge.
A cada vez que o Corinthians chega numa final, como a do domingo passado, vem-me à mente aquele bicampeonato.
Foram momentos sofridos, nervosos, mas também mágicos. Uma aula prática do que é ser corinthiano. E quando meus filhos decidiram que iriam torcer pelo mesmo time do pai, fui sincero em advertir que não seria fácil. E eles sentiram isso na pele nos últimos jogos do Brasileirão deste ano.
Quando tudo parecia que seria resolvido com uma rodada de antecedência, o Vasco consegue uma sobrevida na luta pelo título. Foi duro ver o pequeno Ian chorar de frustração. Acho que mesmo ainda um tanto pálido, tentei garantir que nossa festa só havia sido adiada por uma semana. Não convenci.
Porque claro que eu sabia que, quando se trata de Corinthians, é sofrimento até o último minuto. E tem mesmo que ser assim, afinal a conquista é mais gostosa. Pensei no jogo final contra o Palmeiras a semana inteira. Acordei no domingo sabendo que o frio na barriga acompanharia todas as horas do meu dia. Mas não sabia que a emoção ficaria ainda mais à flor da pele porque o doutor nos deixaria. Justo na decisão. Foi duro não chorar quando os jogadores levantaram o braço no minuto de silêncio, assim como Sócrates fazia para comemorar seus gols. E foram duros os 90 minutos seguintes. Não poderia – nem deveria – ser diferente.
Mas a volta na praça com a família, bandeira para fora do carro, fez tudo valer muito a pena. E o choro do Ian, agora, era de alegria.
Ah, e se apesar do aviso no título, você leu e não é corinthiano, não deve ter entendido nada.
