Francamente: Minha fã número 1
Dezembro 16, 2011 Nenhum comentário
Não importa o que eu faça, ela nunca fica brava comigo. Na verdade, a minha simples companhia já é suficiente para que esteja satisfeita. Não preciso dizer uma só palavra. Embora, às vezes, ela sinalize lá do seu jeito que ficaria ainda mais feliz se recebesse algum carinho. Mas, se eu não estiver disposto, continuará firme ao meu lado. Estar próxima a mim para ela deve a ser a melhor coisa do mundo.
Difícil entender esse apego. Pois comigo ela não tem privilégios. Muito menos mordomias. Se acho que está abusando da minha boa vontade, basta uma olhadela de repreensão para que rapidamente se recolha ao seu canto. E nada de guardar rancores. Por mais que eu a tenha desprezado, basta dar algum sinal de que, agora sim, seria bem-vinda, que lá vem ela, toda entusiasmada atender ao meu chamado.
Até naquelas atividades para as quais é difícil achar companhia ela faz questão de não me abandonar. Uma cor-ridinha, por exemplo? Topa na hora. Não sabe andar de bicicleta, mas fica contente só de poder me manter dentro de seu campo de visão. Futebol? Adora. Mesmo que não a deixe jogar, não abandona a lateral do campo. Se vou lavar louça ou desafinar tocando violão, não me deixa só de jeito nenhum.
O que lhe dou em troca de tanta dedicação? Um prato de comida, água fresca, banhos de vez em quando e uns afagos – ela prefere na barriga e atrás das orelhas. Essa é a Penélope, uma pastora preta que ganhei de meu irmão há seis anos. Ainda pequenininha, quase sucumbiu à uma doença transmitida por carrapato. Naquela época, devido às visitas frequentes ao veterinário e à fraqueza que sentia, ficava aos meus pés enquanto eu trabalhava. Passava o dia todo comigo. Sarou e virou uma cachorra de uma inteligência que não se cansa de me surpreender. Costumo brincar em casa que ela é a “pessoa” que mais gosta de mim neste mundo.
Por isso não consigo acreditar que alguém tenha coragem de maltratar tão cruelmente um ser que tem tanto a nos dar. Como uma pessoa pode enterrar um cãozinho, ainda filhote, vivo, como aconteceu esses dias em Novo Horizonte? Ou espancar sua cachorra a ponto de triturar a sua mandíbula, como foi registrado em Tanabi? O que passa na cabeça desses – esses sim – animais irracionais, criminosos de sangue frio?
Uma das minhas máximas é de que “gente é gente, cachorro é cachorro”. Não quero dizer com isso que uma espécie é melhor que a outra. Apenas são diferentes, e têm anseios, satisfações e problemas diferentes. O que é bom para um humano não o será necessariamente para um cachorro. Entender isso torna as coisas mais saudáveis para os dois lados. Não conseguimos corresponder o amor incondicional que eles nos reservam. Mas o mínimo que podemos fazer é tratá-los com respeito, dignidade e carinho. Se não gosta de bichos, é fácil: não tenha um.
