Mente Sadia: O jeitinho brasileiro
Novembro 11, 2011 Nenhum comentário
Hoje, mais do que nunca, se discutem as questões que envolvem a ética, a honestidade, o bom uso do dinheiro público etc.
No entanto, impera o jeitinho brasileiro, que viciosamente pretende encobrir o mal feito.
A impunidade impera no país, dando por vezes a impressão de que é um barco à deriva, uma vez que as instituições sedem aos jogos de interesses e se corrompem quando deveriam fiscalizar, denunciar, exigir reparação e retratação.
É na classe política que pesam as evidências de tais práticas, pois os escândalos são muitos e sucessivos.
Porém, em todas as camadas sociais, culturais, econômicas, coexistem pessoas de bem e de bens. Uns valorizam o bem comum, outros, os interesses pessoais e de parceiros da mesma estirpe.
Hoje ouvi mais uma sugestão fora de contexto: “Só uma revolução mesmo para acabar com essa bagunça”. Só se for uma revolução cultural, moral, ética, pois a luta armada já não faz mais sentido, até porque muitos dos que se indignam frente à rouba-lheira desenfreada são os primeiros a dizer que se estivessem no lugar do outro (do mau caráter) agiriam da mesma forma, não perderiam a oportunidade.
Oportunidade! Então o velho provérbio que diz “A ocasião faz o ladrão” está correto?
Não, não pode ser assim, há pessoas e pessoas. Todas lutam pela sobrevivência, algumas com princípios morais, visão de mundo trabalhada para o bem, e outras aplicam a “lei de Gerson, em que o importante é levar vantagem em tudo”, não importa como.
Contudo, o mundo caminha, em determinados aspectos, em passos lentos, noutros, em passos largos, assustadores.
Mas há uma evolução. Pouco tempo atrás, e assim o é em determinadas regiões, a força, o poder se sobrepunham ao conhecimento, à lei, ao direito, Hoje, com tudo o que há ainda para ser melhorado, o direito afronta o poder, a força, a rigidez, criando oportunidades de negociações, intermediações, entendimentos.
Nesta “nova era”, quebram-se preconceitos, permite-se vir à tona as diferenças individuais, criando uma nova sociedade.
Mesmo que ainda mais no discurso do que na prática, hoje há de fato uma preocupação com a natureza, com o ser humano, com as futuras gerações.
Tem havido, sim, uma mudança de entendimento e de comportamento. O fato é que nos esquecemos do passado, do crescimento industrial às margens de córregos, rios, para neles despejarem seu “esgoto” sem nenhum tratamento. A emissão de poluentes na atmosfera não contava com nenhum órgão regulador. Mais recentemente, os fiscais “eram” acariciados com “presentinhos” de final de ano para não autuar as empresas que desrespeitavam o estipulado. O esgoto doméstico era igualmente lançado nos rios, como se isso fosse normal.
Hoje, a população reivindica – menos do que deveria – pelos seus direitos. A mordaça do medo foi sendo retirada pela história, dando voz aos cidadãos conscientes de seu estar no mundo, dos seus compromissos com a vida.
Talvez tenhamos que abdicar do jeitinho brasileiro para que possamos dar um jeito neste país.
