Mente Sadia: Nem – “Metade da arrecadação era paga a policiais”
Novembro 18, 2011 Nenhum comentário
Em depoimento à polícia, Nem, que comandava o tráfico de drogas na maior favela do Rio de Janeiro, declara que metade do que arrecadava com as atividades ilegais – que possivelmente vão além das drogas – era “dada” a policiais (funcionários públicos) para continuar livremente o “negócio”.
A notícia em si não nos surpreende, já que não é de hoje o envolvimento, ativo ou passivo, de autoridades policiais com os fora-da-lei. O fato é que o poder muda de mãos. O comandante passa a ser comandado e o comandado, pagando, passa a ser o comandante.
Comandante: aquele que comanda junto. Mocinhos e bandidos desta forma se igualam no poder de comandar e de se beneficiar. Uns, mais gulosos, se beneficiam, em curto prazo, duplamente, recebendo dinheiro e benefícios legais do Estado, a quem deveriam servir, e dos “companheiros”, que agem na informalidade acobertada por aqueles que deveriam coibir.
A ideia, aqui, não é discutir o que é certo, justo, até porque a lista ficaria muito grande, gerando em você, leitor (a), indignação, revolta, tristeza etc. A finalidade deste texto é, pegando carona no que foi dito, alertar para as confusões causadas pela perda do papel, da identidade, do propósito, quando pessoas deixam por qualquer motivo de atuar naquilo a que se propuseram.
No exemplo acima, homens, investidos de interesses, barganham com “adversários”, tornando-os parceiros, coauto-res no teatro da vida. Perversamente, trocam de papéis, sem se dar conta ou importância aos danos à população, gerados por atitudes inconsequen-tes, supostamente embasados pela necessidade do poder, do dinheiro e da articulação com o mal. Bandidos ou mocinhos, não importa: dependendo dos valores que cada um tem, são estes valores que determinam o comportamento, são eles, os valores, que permitem ou não a mudança de posição.
Potencialmente, todos estão equipados com possibilidades e inclinações para o bem e para o mal. Uns usam sua força, coragem, inteligência para promover o bem comum; outros, egocentrados, só veem as próprias necessidades, sendo que o outro passa a ser um mero objeto para atingir seus fins.
Nada é absoluto, principalmente em se tratando do ser humano, portanto, nem o bem nem o mal são senhores supremos. O que se percebe é que a humanidade ca-minha melhor quando há um equilíbrio das forças. Simbolicamente, isto vem sendo demonstrado ao longo da história.
O mal só triunfa quando o bem é omisso, displicente, conivente ou parceiro.
A criatividade, esperteza, visão de negócio, empreen-dedorismo podem estar na mente de uma pessoa bem estruturada eticamente, como naquela que foi treinada para praticar o mal; ambas são capazes de construir coisas.
Cabe a todo cidadão, ciente da sua responsabilidade política e social, atuar nas urnas, nas associações de bairro, nas ONGs etc., fazendo valer o direito, não tendo uma apatia social, como se estivesse quite com Deus em não praticar o mal, por isso cruza os braços ao que esta aí. A omissão frente ao mal já é uma forma de permissão para que este se estabeleça.
