Francamente: Movimentos antipáticos
Novembro 11, 2011 Nenhum comentário
Eram nada menos que 400 policiais, divididos em 50 viaturas e contando com apoio até de helicóptero. Todos os homens, pertencentes ao Batalhão de Choque da Polícia Militar, devidamente equipados com capacetes, escudos, botas e mais aquele arsenal que impressiona de verdade. A ação, porém, não era para invadir alguma favela dominada por traficantes ou partir para o confronto com uma torcida organizada daquelas bem violentas (há alguma que não seja, enfim?).
Os policiais tinham como missão desocupar a reitoria da USP, invadida dias atrás por estudantes revoltados, ironicamente, com um acordo que coloca a PM dentro do campus. E este havia resultado na detenção de alunos que fumavam seu baseadinho dentro das dependências da universidade. A verdade é que se a polícia for prender todos os universitários que fumam maconha nos campi em que estudam, vai ser preciso construir um monte de cadeias.
Mas isso não quer dizer que a droga está liberada, seja dentro ou fora das universidades. E há que se entender que os tempos são outros. Não dá mais para as instituições de ensino recusarem a presença da polícia. Prova disso são os recentes estupros e assaltos que fizeram tantas vítimas justamente na USP. Se aumentar a segurança limita a liberdade pela qual tanto clamam os jovens em idade universitária, é um preço justo a ser pago.
O fim desse episódio da ocupação da reitoria é que a PM foi eficiente no que se propôs a fazer, ninguém saiu ferido e o espaço foi devolvido a quem de direito. Desconfio que a maioria da população aprovou essa ação. Porque, afinal, há movimentos que não conseguem a simpatia, muito menos a adesão, de quem não é diretamente interessado naquilo.
Ouvi vários comentários de que a atitude dos estudantes era coisa de playboy maconheiro que não quer respeitar a lei.
Nem tanto ao Sol, nem tanto à Lua, sou da opinião de que o diálogo deve ser tentado à exaustão antes de atitudes mais intempestivas. Agora, se um caso como esse desperta a antipatia de boa parte das pessoas, o que dizer de greves como a dos carteiros e dos bancários? Longe de mim querer analisar se as reivindicações das duas categorias eram justas ou não.
Cada um sabe onde aperta o seu calo. Mas quanta gente não teve problemas por causa das greves? Contas atrasadas, prazos perdidos, o prejuízo, em dinheiro e tempo, foi grande. Eu também amarguei juros de mensalidades que não pude pagar e tive até celular cortado por causa disso.
Se a paralisação de serviços essenciais força decisões rápidas, também pune quem não tem culpa. Mas quem há de ser contra o direito dos trabalhadores de buscar aquilo que acham justo? São percalços de uma democracia em que direitos e deveres ainda se estranham quando se encontram em fronteiras nebulosas.
