Mente Sadia: Oportunidades e oportunistas
Outubro 14, 2011 Nenhum comentário
No texto passado, fiz o relato de pessoas de bem que agem vez por outra contrariando os preceitos de respeito, honestidade e bom-senso. São pais, educam pelas palavras e exemplos as novas gerações.
Não importa o motivo: adentrar a propriedade alheia para “pegar água, uma pipa, uma bola”, o que está em jogo é o respeito pelo outro.
Na matéria citada a partir de um fato, o enfoque foi trabalhar a paciência, a tolerância, o discernimento; não guardar raiva e ressentimentos.
Hoje a ideia é a construção de uma sociedade.
Tem sido comum a crítica à classe política: representantes do povo, eleitos por ele. O que fazem esses cidadãos e cidadãs para receber tanta atenção da mídia, do Ministério Público, da polícia?
Agem eles isoladamente do restante da sociedade? Temos uma população honesta, trabalhadora, que usufrui das oportunidades de estudo, trabalho, para crescer economicamente e, por que não dizer, moralmente?
Há sim uma parcela da população que acredita na Ética, na moral, nos bons costumes. Outra teme queimar no fogo do inferno e por isso se segura nas tentações das ofertas do capitalismo.
Contudo, há uma dissoci-ação entre teoria e prática que iguala corruptor, ladrões, ateus, com homens de fé, que valem-se das oportunidades para passar a perna no próximo. São eles os oportunistas, se valem das oportunidades para levar vantagens.
Na ausência do outro, agem ao arrepio da lei, invadem a propriedade alheia sem nenhum constrangimento.
Estão nesta categoria os invasores de terras, dos cofres públicos, os que fazem manobras para se apropriar indevidamente dos bens do outro.
Quando um funcionário de uma empresa pede ao restaurante – e isto é comum – para dar uma nota fiscal de valor acima do consumido, para que ele seja ressarcido com lucro, age de má fé. E é este mesmo sujeito o guardião da moral e dos bons costumes quando se trata da “esperteza” do outro.
Um dia desses, um garoto, bem nascido, questionou-me: “Herivelto, é possível alguém se dar bem sendo honesto?”. Pois bem! A referência que este garoto tem é de que a desonestidade é a ferramenta do enriquecimento. Esta ideia é compartilhada por muitos que assistem a história de um país de oportunidades, usurpada por oportunistas em várias gerações.
E parece que tem sido assim mesmo, os mais esforçados e os dotados de uma inteligência privilegiada – e “saudável” – conseguem cargos mais valorizados, acesso a uma maior rentabilidade e aumento no poder de compra, enquanto os mais frágeis e de inteligência mediana ou optam pela pobreza convencidos de que é assim mesmo, não esperneiam e tocam a vida, ou se revoltam e entram na luta do vale-tudo, onde passar drogas ao próximo não é passar um malefício desencadeante de uma porção de outros comportamentos desorganizadores, mas sim um negócio.
Se queremos um mundo melhor, não é dos macros problemas que temos que dar conta. Estão distantes de nós.
É no dia a dia, nas oportunidades de corrigir a rota para o bem é que podemos e devemos atuar.
