Mente Sadia: O que a vida nos oferece
Outubro 7, 2011 Nenhum comentário
Constantemente, a vida nos oferece inúmeras oportunidades de aprendizagem. De certa forma, ficamos condicionados a acreditar que a aprendizagem advém do ensino formal, da escola, dos cursos, dos simpósios, dos congressos.
São partes importantes, mas as experiências do dia a dia é que nos encostam contra a parede e nos fazem imóveis, ou provocam reações e ações de enfrentamento.
Para exemplificar, vou relatar alguns acontecimentos recentes. Fui a uma palestra, sem saber a priori o seu conteúdo. Ela falava sobre a necessidade de, ao longo da vida, nos desvencilharmos do peso das más lembranças, de trabalhar a nossa mente para que ela não alimente sentimentos de vingança, mágoa, ressentimento e outros tantos que acabam por pesar nas nossas costas, mesmo que não os percebamos conscientemente.
Na verdade, esse tipo de comentário só nos faz relembrar que a higienização do corpo já incorporamos como um valor social, o fazemos automaticamente, e isto está tão incorporado pela nossa sociedade, que acabamos por rechaçar, implicar com quem fica fedido, mal cuidado, com unhas, cabelos e roupas sujas etc. Mas, no tocante à higienização da mente, ainda somos relapsos, conosco mesmos e com os outros.
E limpar a mente dá um trabalhão enorme, pois requer paciência, abnegação, humildade, força de vontade, vigilância e sabedoria. Não é que no mesmo dia da tal palestra – que pareceu fazer chover no molhado, mas no fundo sempre evoca novas reflexões, lembra que podemos negar a necessidade de cuidar dos nossos pensamentos e emoções, mas não podemos deixar de tê-los – logo em seguida fui exposto a uma situação de prova de tolerância, paciência, discernimento e administração de uma porção de emoções que traziam lembranças que tento esquecer?
Chegando à minha chácara, fui lavar os vasilhames de água e comida dos cachorros.
Ao abrir a torneira, não tinha água – lá temos água de poço – e eu tinha certeza de que deixara a caixa d’água com uma boa quantidade. Saí à procura de alguma torneira que ficara aberta sem querer e esvaziara a caixa/depósito, que teria próximo a cinco mil litros d’água. Surpresa! Não tínhamos esquecido torneira aberta e nem tinha vazamento. Os vizinhos “amigos”, que noutras épocas já tiveram comportamentos semelhantes, os quais busquei relevar, no intuito de não romper a amizade, nem guardar mágoas, tinham pulado para dentro da minha chácara, colocado uma mangueira na torneira mais próxima, pois tinham ficado sem água, e como eu não estava lá para pedir, resolveram o problema deles, depois me comunicariam o fato. Simples, né?
Juro, não deu para não ficar irritado, com raiva. Lembrava da palestra. Enquanto eles! Ah, eles curtem festas, bebem, se divertem, esse tipo de palestra provavelmente não interessa, é bobagem. Em resumo: voltamos a conversar sobre o descompasso do comportamento deles com aquilo que acredito ser respeito, ético, moral. Eles com pedidos de desculpas – como diria um amigo que há muito não vejo: pedir desculpas é pedir permissão para fazer de novo – e eu dizendo que desculpava (ia fazer um esforço neste sentido), mas não tinha gostado de tal atitude, semelhante a outras que já tiveram no passado.
Penso: é a vida! É a vida nos dando oportunidades de aprendizagem, resta a nós querermos aprender.
Eu estou disposto!
