Mente Sadia: Escola, palco das contradições
Outubro 21, 2011 Nenhum comentário
Qual o real papel da escola nos dias atuais? Quais seus objetivos? Ela funciona a serviço de quem e para quem?
Estas e outras tantas questões se perdem em meio a uma porção de debates, projetos, discursos, intenções. Pois a escola é um meio, não um fim.
Palco das contradições, ela serve para transmitir conhecimentos, promover o interesse pela pesquisa, disciplinar condutas, estabelecer regras, agrupar pessoas.
É no quesito “agrupar pessoas” que ela, escola, encontra seu maior desafio.
Se, no passado, as teorias de como melhor transmitir os conhecimentos criavam debates, simpatias e revoltas por métodos diferentes de como educar, hoje as questões são outras. Passam por como fazê-lo, já que educar é muito, mas muito mesmo mais do que conteúdo, é um conjunto de ações objetivas e subjetivas que norteiam, e, por que não dizer, por vezes desnorteiam os protagonistas de tais experiências.
Há discussões sobre os problemas nas escolas: bullying, uso e abuso de drogas, violência, desmotivação bilateral (professores e alunos), desrespeito etc. Como se fosse ela, a escola, o problema. Seria simples se fosse, seria só fechá-las e pronto. Mas o buraco é mais embaixo, aliás, bem mais embaixo, pois a escola nada mais é do que a parte de um todo, equivocadamente responsabilizada. Quando o foco está totalmente sobre ela, deixando às escuras os grandes problemas sociais.
Por ser a escola um espaço de agrupamento de pessoas, é natural que nela se veja, por amostragem, como em um laboratório, o reflexo histórico de uma sociedade que se debate entre os valores tradicionais e a imposição do novo, do não sabido e não aprendido.
Por hora, o caos se instala exatamente por isto, não sabemos mais ao certo o que é certo. Os padrões de comportamentos, as crenças. O norte que norteava pessoas e atitudes se estilhaçou, deixando um vazio existencial no peito daqueles que se sentem órfãos dos grandes líderes, dos exemplos a serem seguidos. É como se cada um tivesse que encontrar em si mesmo as forças motivadoras e a criatividade para po-der vencer os desafios desta nova era.
O sofrimento é maior nos maiores, nos maiores de 20, 30, 40, 50, 60… Pois estes sim se desnorteiam na ausência do norte. As novas gerações não, pois elas não herdaram uma gama de valores e crenças hoje em desuso, vivem o aqui e agora desfrutando dos bens de consumo, dos modismos, dos prazeres imediatos, de coisas des-cartáveis, pessoas descar-táveis, amores descartá-veis. São desapegadas por natureza, e este é o hiato não compreendido por muitos que não entendem que são momentos diferentes, que não necessariamente afrontam os valores do passado, simplesmente vivem uma outra realidade, diferente, apenas diferente do que os mais velhos acreditavam.
Pensando desta maneira, talvez possamos minimizar as dificuldades em lidar com as novas gerações, aproveitando o que elas possam nos ensinar, ao contrário de ficarmos enrijecidos, sentados em cima do que acreditarmos ser o certo.
