Mallu Magalhães mostra seu amadurecimento em seu terceiro disco

Outubro 28, 2011 Nenhum comentário

Mallu Magalhães só completou 19 anos há dois meses, e já está na batalha para divulgar o terceiro disco de sua carreira, “Pitanga”. Se na sua estreia em CD, quando tinha apenas 17 anos, era uma garota-celebridade da internet que deixava transparecer timidez nas entrevistas, hoje fala bem e com segurança de seu trabalho. Uma audição de seu novo álbum, aliás, reforça a impressão de que ela tem mais idade do que informa sua carteira de identidade.

“Pitanga” é um disco complexo, cheio de texturas e de sonoridades. Produzido por Marcelo Camelo, seu namorado e parceiro, nele Mallu canta e toca, além de seu conhecido violão, clarinete, bateria, panderola, guitarra, piano, viola caipira e alguns outros instrumentos mais. Certamente, o CD deve agradar um público mais velho do que ela. Mas Mallu não se importa com isso. Quer, como deixa claro nesta entrevista ao PLUG, apenas colocar para fora as ideias que aparecem como turbilhão em sua cabeça.

Seu trabalho apareceu pela internet quando você era ainda uma adolescente. Hoje, apesar de ainda bem jovem, você sente que o novo disco mostra um amadurecimento pessoal e profissional?
Houve mesmo um processo de amadurecimento pessoal, emotivo, existencial e, consequentemente, profissional. O fio condutor da minha música é justamente essa falta de barreiras entre ela e minha pessoa, minha personalidade. Realmente, no primeiro e no segundo discos, eu era muito novinha, tinha a escola e não sabia se queria isso mesmo da minha vida. Não tinha coragem. Este terceiro disco é o retrato deste acontecimento que foi, pra mim, encontrar essa força, decidir viver de música. Desenvolvi uma vontade muito grande de tocar, de fazer minha arte. Esse disco tem uma estética própria, que é resultado do movimento de olhar pra dentro, de fechar os olhos e procurar o que quero pra minha composição.

Realmente não é um disco de fácil audição. Quando você compõe, imagina que público consumirá sua música ou não pensa nisso?
Tudo na minha vida, na minha carreira, na minha arte é baseado no meu sentimento. Nunca faço nada proposital, planejado, visando algum interesse profissional. Meu interesse é como viabilizar a expressão da minha criatividade. Não componho pela minha profissão. Componho por mim, e a minha profissão é o resultado disso.

Qual foi o peso do Marcelo Camelo na concepção deste disco?
Ele teve uma influência muito grande em todos os aspectos. No emocional, ele sempre me incentivou muito e respeitou as coisas que eu fazia. Na hora dos arranjos, por exemplo, ele sempre tinha uma resposta para aquilo que eu não sabia. Mas, se eu sabia, ele sempre procurava o melhor jeito de executar aquele sopro de ideia que eu tinha. Ele, como músico e produtor, é excepcional. E, como companheiro de vida, tem um papel determinante.

Todo mundo está acostumado a te ver tocando violão, mas neste disco você toca muitos outros instrumentos. Como você chegou nesse nível?
Pra mim, sempre foi muito natural tocar instrumentos, sempre fiz isso em casa, mas alguns eu realmente nunca tinha gravado. Outros eu nunca tinha tocado, co-mo o metalofone, mas tinha uma ideia de como era, e foi só fazer na prática. Nosso método de gravação era muito convidativo pra isso. Deixávamos todos os instrumentos montados e íamos, música por música, desenvolvendo cada detalhe, cada pedacinho.

Quanto às letras, você novamente optou por fazer parte delas em português e parte em inglês. Você ainda não se decidiu em qual idioma prefere compor ou a ideia é sempre usar os dois mesmo?
Isso reflete o modo como conduzo as coisas na minha vida e na minha carreira. Procuro muito fugir de predisposições. A obrigação de fazer uma coisa ou outra só limita o artista. Vou simplesmente fazendo, e o que sai eu banco. A mistura dos idiomas surge naturalmente. Não me privo de desenvolver alguma coisa que me aparece. Nos últimos meses, tenho escrito só em portu-guês, mas não sei se na semana que vem vou escrever em inglês.

Você criou um blog pra contar como estava sendo o dia a dia das gravações do novo disco. A internet, que te lançou, continua sendo uma ferramenta fundamental na divulgação do seu trabalho?
Sem dúvida. No segundo disco, eu tinha deixado a internet um pouco de lado. Sei lá, me concentrei em outras coisas. Mas a internet, pra mim, funciona como um jeito muito direto, rápido e prático de divulgar a minha arte e o conteúdo que produzo. Meu dia a dia é muito criativo, e gosto de expor isso.

As músicas deste disco vão possibilitar uma boa adaptação para o show?
Já estamos ensaiando o show, o Marcelo está me ajudando na direção musical. Estamos tentando passar as músicas do disco para o show com a maior fidelidade possível. Mas, pela quantidade de músicos, a gente acaba tendo que re-arranjar algumas músicas. A gente se diverte pra caramba, e é uma oportunidade de fazer uma coisa mais bonita ainda.

Por Marcos Paulino

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