Francamente: Mais humor, menos censura

Outubro 21, 2011 Nenhum comentário

Hoje em dia, qualquer xixizinho fora do penico vira polêmica. É inevitável, portanto, que um cara como o Rafinha Bastos, do programa “CQC”, da TV Band, afeito a piadas grosseiras e de mau gosto (isso é redundância?), torne-se o centro de um debate que parece interminável sobre os limites do humor.

Parece não ter fim, mas tem. Porque logo aparece outro assunto para tomar o topo das discussões nos programas de fofoca e nas ditas redes sociais da internet.
E assim surge, por exemplo, o diz-que-me-diz em torno das propagandas das lin-geries da marca Hope, protagonizadas pela Gisele Bündchen. Não preciso entrar em detalhes das peças publicitárias, porque todo mundo viu a modelo, de calcinha e sutiã, explicando a maneira “certa” de dar uma notícia ruim ao marido.

O que era para ser uma campanha apenas com pretensões erótico-humorísticas, ganhou dimensões que só fizeram o fabricante das lingeries e a agência que bolou as peças rirem de orelha a orelha. A Secretaria de Políticas para as Mulheres, órgão do governo chefiado pela ministra Iriny Lopes, pediu a suspensão da veiculação do comercial. “A propaganda pro-move o reforço do estereótipo equivocado da mulher co-mo objeto sexual do marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para descontruir práticas e pensamentos sexistas”, argumentou a secretaria.

Observando o imbróglio sob outro ponto de vista, um advogado teve artigo publicado em um grande jornal em que defendia que os homens, na verdade, é que eram discriminados pela propaganda. Seu argumento é de que esse tipo de comercial nos vê co-mo machos tolos, que só pensam em sexo, e por ele tudo fazem. E que só os ricos é que têm direito a mulheres do quilate de uma Gisele. Mas alguém duvida disso?

O assunto rendeu tanto em espaço no noticiário, que a quantia paga pela fabricante da marca Hope pela campanha certamente se tornou uma ninharia. Prova disso é que a empresa viu mais que dobrar o número de pedidos para abertura de novas franquias que recebe a cada mês.

Não sei, mas a impressão que tenho é que o mundo precisa hoje de mais bom humor. Será que é preciso levar tudo tão a sério? Toda mulher tem o direito, óbvio, de não gostar dos comerciais da Hope. E até de decidir não consumir mais as lingeries da marca por causa disso. Mas alguma delas realmente ficou assim tão indignada a ponto de exigir que a campanha seja proibida?

Só se for daquele tipo de gente que, quando encontra na rua um ator que interpreta um vilão na novela, quer lhe enfiar a mão. Não sabe distinguir o real da ficção. Muito menos saberá rir de si mesmo. Se não gosta, não assista, não compre. O debate é livre e saudável. Mas tudo o que incita a censura deve ser discutido incansavelmente.

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