Francamente: Dá pra festejar, professor?
Outubro 14, 2011 Nenhum comentário
Dona Jadyr, dona Alice, dona Odete, dona Maria Florinda e dona Wally, esta acumulando a função com a de mãe, foram minhas professores do primário. É, naquela época, aquele período entre a 1ª e a 4ª séries do 1º grau se chamava primário.
Lembro-me perfeitamente das feições de todas e do modo peculiar de cada uma no trato com os alunos. Também estão bem vivos na minha memória muitos dos meus professores do ginásio, estágio em que se agrupavam da 5ª a 8ª séries do 1º grau, e do colegial, onde se situavam os três anos do 2º.
Dona Elza, seu Mário, dona Maria Inez, dona Cristina, seu Geraldo, seu Athaíde, dona Maria Isabel, são muitos, e obviamente não me recordo de todos os nomes. Porém, há algo em comum em todos eles de que não me esqueço: o respeito com que eram tratados.
Claro que eu gostava mais de uns que de outros, seja pelo modo de ser, ou pela matéria que ministravam. Mas a todos, sem distinção, mesmo aos mais brincalhões, era reservada a devida cerimônia.
Os pronomes “senhor” e “senhora” só não eram utilizados para aqueles que fizessem questão disso. E todos ficavam em pé quando o professor entrava na sala, sem reclamar, se ele assim determinasse. Tratar os mestres com a distinção que merecem era algo absolutamente natural.
Devo frisar que não estou me referindo a nenhum passado tão remoto. Não são tantos anos assim a me separar da minha juventude, embora meu corpo insista em querer me provar o contrário. E é por isso que fico perplexo, indignado, assombrado quando vejo professores sendo agredidos a torto e a direito em todo o país.
Fiz todo o 1º grau em escola pública, onde se misturavam alunos das diferentes classes socioeconômicas, e, tirando alguns casos considerados perdidos, ninguém se atrevia a desafiar os professores, muito menos a erguer a voz para eles. A maioria de nós estava longe de ser santa, mas era inerente ao estudante respeitar os docentes.
É quase impossível acreditar que hoje os professores sejam destratados, ameaçados, agredidos com socos e pontapés por adolescentes e até crianças. Lembro-me de uma professora, no colegial, que dava uma matéria que eu odiava. E, pessoalmente, não nutria nenhuma simpatia por ela. Com a saída de outro professor, ela acumularia as aulas dele. Isso me abalou de tal forma que, vítima também da turbulência da juventude, comecei a ter meu desempenho comprometido. A saída foi mudar de classe. Mas, em nenhum momento, passou pela minha cabeça me dirigir à professora sem respeito.
Hoje, não bastasse serem praticamente ignorados pelo governo em todos os níveis, os professores têm que se dedicar a um trabalho que é cada vez mais de risco. Assim, fica difícil achar motivos para comemorar o Dia dos Professores.
