Mente Sadia: Vida fácil

Setembro 30, 2011 Nenhum comentário

Juntando várias reflexões, chego à conclusão de que o nosso tempo de vida é curto. Um dos aspectos que instigou este pensamento foi a leitura de um “livro de memórias”, enquanto aguardava uma consulta médica – diga-se de passagem: nas quais a espera tem sido muito mais longa do que a consulta.

Eram memórias de uma professora, que, assim como tantas outras, assumia aulas em lugares distantes, com transporte precário, muitas vezes tendo que se mudar de município para ficar menos longe do trabalho. Com escassez de escolas, para os alunos não era diferente, tinham que percorrer horas, muitas vezes a pé, para chegar à escola. Eram tempos difíceis?

Coincidiram com esses períodos – o que não é tão distante assim – doenças contagiosas, como a lepra, tuberculose, tifo, gripe espanhola, e a falta de “mantimentos”, como o sal e o trigo, por exemplo.
O entendimento do que era importante para o ser humano era outro. As famílias, numerosas em sua maioria, consideravam a educação secundária, pois valorizavam a força de trabalho.

As crianças maiores (com 7, 8 anos) ajudavam no sustento da casa e no cuidado com os irmãos menores. Estudar era privilégio de poucos. Para os mais ignorantes, a criança que desejava estudar, que queria ir à escola, era va-gabunda. Na visão deles, a criança não queria trabalhar.

No entanto, mesmo com tantas dificuldades – o que possivelmente nem era percebido assim, porque era assim e ponto –, ser professora era um orgulho para a família, uma posição de destaque social. Para as crianças? Bem, para as crianças provavelmente era um pouco de tudo: tédio, diversão, obrigação, oportunidade, valorização, atenção, cuidados especiais, socialização.

O que mudou?
A não ser longe dos grandes centros econômicos, onde a realidade descrita acima é a mesma, hoje as facilidades são inúmeras, desde o acesso à educação formal, a opção de estudar e não trabalhar, alimentos em abundância, a saúde com maiores controles, a começar pelas vacinas, melhores condições de higiene, água tratada, medicamentos para uma grande quantidade de enfermidades etc.

Contudo, ainda nos queixamos muito, somos infelizes por não termos, embora tenhamos muito. Os mais novos então… Essas gerações do tudo-na-mão não valorizam o que possuem, pois não passaram privações e dificuldades, que seriam um bom alicerce para sustentar uma vida mais confortável hoje. Desconhecem o não ter, mas sempre acham que têm pouco, desta forma banalizam a vida como se ela fosse infinita, ou a vivendo intensamente – e pra isso vale tudo –, como se ela não tivesse importância alguma.
Se a vida é difícil ou fácil, depende de nós, somos nós que damos o tom, a cor, o cheiro, a luz, seja em que época for.

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