Mente Sadia: Som alto, autoestima baixa?
Setembro 16, 2011 Nenhum comentário
Os filhos tendem a repetir o comportamento dos pais, por isso estes (pais), em alguns casos, não se surpreendem ou se escandalizam.
Analisando três gerações: avós, que enquanto jovens conquistaram uma ascensão social e econômica, ganharam dinheiro, com ele o poder de compra e “equiparação” a outros já “bem-nascidos”. Orgulhosos por ingressarem à classe social burguesa, criaram seus filhos com os bens de consumo (patinetes, bicicletas da moda, motos, carros esportivos equipados com rodas especiais e som, muito som), não só como forma de agradar a seus rebentos, mas para que eles fossem também a prova do “poder” dos pais.
Como o foco estava no TER, as roupas de marca, os tênis importados, o que vinha de fora era sempre mais valorizado se comparado à valorização do ensino. Eram garotos e garotas que davam problema na escola, os mais populares da turma, cumprindo seus papeis de causar – o conhecimento era secundário, terciário, aparecer era o principal. Tinham muito a mostrar, para causar inveja e se sobressair.
Viraram pais – alguns, pelos excessos (velocidade, bebidas, drogas), ficam pelo caminho.
Como é comum darmos o que temos, estes “novos” pais repetiram a história, dando de tudo aos filhos, na medida do possível, pois nem sempre conseguiram o sucesso obtido pelos seus pais, que por vezes fazem o papel de pais/avós, repetindo com os netos o que fizeram com seus filhos, e os inutilizaram funcionalmente.
A história continua a se repetir, assim como a bebida, as drogas, e as maneiras de autoafirmação respaldadas por roupas, tênis de marca, carros equipados com sons que parecem até desagradar os próprios condutores, os quais colocam a potência no porta-malas, ou na caçamba, para que outros ouçam os seus disfarces dos sentimentos de impotência, do vazio interno – talvez não sejam músicas, sejam gritos de socorro não ouvidos.
Estes jovens de vícios antigos costumam, “sem querer”, se envolver em acidentes, sendo o outro o responsável. A terceirização da responsabilidade já é regra do jogo do faz-de-conta, mas brevemente o seguro é acionado, assim que possível arrumam o carro danificado, ou o substituem por um novo, apagando as marcas e vestígios de uma má educação, viciosa, incapaz de reconhecer os erros. E lá vão os jovens suicidas “curtir” a vida, “equipados” com substâncias e atitudes, praticando o jogo da roleta-russa, até que saia mais um tiro.
