Mente Sadia: Juventude e experiência de vida

Setembro 9, 2011 Nenhum comentário

O conflito de gerações não é um tema atual, está contido em ensaios de vários escritores ao longo da história. Relato de incompreensões mútuas: os jovens não aceitam o que os mais “experientes” têm a dizer, assim como os mais “experientes” muitas vezes não compreendem os comportamentos dos mais jovens, fazem vir à tona a dificuldade do ser humano relacionar-se com sua própria espécie.

Dia desses, em uma palestra, ministrada por uma ilustre senhora, conhecedora do comportamento humano, ficou evidente que nem mesmo os “especialistas” são capazes de equacionar a relação entre jovens e adultos.
Muito se falou em valores da família tradicional, alicerce de uma sociedade mais justa, ética, honesta, que se conflita com a atual permis-sividade, onde os jovens não respeitam os adultos. Dizia ela: eles (os jovens) estão perdidos, voltados para os computadores, relacionamentos rápidos, falta de interesse no casamento…

Ora, se os jovens realmente estão à deriva, que gerações foram essas que os antecederam e deixaram esse legado? Não seriam elas então responsáveis pelo “caos” atual? Que família estruturada, organizada, com princípios morais, éticos e religiosos, foi esta que criou uma geração de ETs?

Já disse e venho a repetir: uma crítica a um momento histórico só pode ser feita passado este momento, ou contextualizá-lo para poder corrigir as ideias tendenciosas e preconceituosas.

A família não se extinguiu e nem será extinta, o que temos hoje são novos modelos de família. Famílias com contornos diferentes, e mais inclusivas se comparadas às do passado.

O casamento não tem sido uma prioridade. A mulher pode garantir seu próprio sustento sem depender da renda do marido. O homem pode pagar pelos serviços, ou utilizar as tecnologias para se manter sem precisar de uma mulher para cuidar dele.

Caíram por terra preconceitos impulsionadores de casamentos: “Vai ficar para titia, hein!”. Tampouco as famílias empurram seus filhos para o casamento, com receio de que mantenham uma vida sexual e fiquem falados, excluídos de uma sociedade “pura”.

Os casamentos se mantinham a qualquer custo, pois homens desquitados eram evitados pelas famílias de bem, enquanto as mulheres separadas eram equiparadas às prostitutas, pois uma vez separadas (sem homem) deveriam sair com qualquer um.

Casamento era uma condição, não uma opção a ser considerada. Daí, ficar fora dele era sinônimo de algum problema. O normal era casar.
Realmente, as coisas têm mudado, não necessariamente para pior ou para melhor. Diríamos: para um outro jeito. Se as gerações atuais serão mais felizes ou tristes, o futuro dirá. Talvez sejam mais sábias do que as que foram teleguiadas por padrões pré-estabelecidos, calcados na rigidez e na falsa moral.

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