Francamente: Gladiadores modernos
Setembro 23, 2011 Nenhum comentário
Uns bons anos atrás, coisa de 10 para mais, peguei na locadora uma fita, isso mesmo, daquelas tipo VHS, que rodavam nos videocassetes, lembra?, para assistir a uma nova modalidade de luta que estava surgindo. Na verdade, não era uma modalidade, mas o confronto de várias delas. A ideia era contrapor, num ringue, representantes de algumas das mais tradicionais arte marciais.
Cada lutador, dentro do seu estilo, teria que se virar para vencer o oponente, também ele com suas próprias armas. Lembro-me de um chute que um karateca desferiu na cabeça de um praticante de sumô, abrindo-lhe um corte na testa. E das dificuldades enfrentadas pelo boxer, que não sabia aplicar golpes com as pernas.
Valeu ter assistido pela curiosidade, afinal sempre tem aquela discussão sobre qual modalidade de luta leva vantagem sobre as demais. Mas confesso que não acompanho com muita tranquilidade cenas de violência. Pois bem, de lá para cá, a semente plantada com esse tipo de competição virou uma floresta. Os lutadores foram aprendendo a misturar golpes de vários estilos, criando aquilo que passaria a ser conhecido como MMA, sigla em inglês para artes marciais mistas. A coisa cresceu tanto que o UFC, ou Ultimate Fighting Championship, que reúne os principais atletas de MMA, tornou-se um dos eventos que mais movimentam dinheiro no mundo.
Recentemente, aconteceu uma edição do UFC no Rio de Janeiro, na qual se apresentaram grandes estrelas do gênero, como o brasileiro Anderson Silva. O sucesso foi tanto, que a agência que detém os direitos da marca refez seus cálculos e elevou em 50% sua estimativa de faturamento no Brasil, levando em conta as vendas dos cerca de 300 produtos que oferece.
Calcula-se que, até o final deste ano, produtos como roupas, desodorantes, cadernos e outros que estampam a marca UFC rendam algo perto de 130 milhões de dólares. Isso porque, avaliam os executivos da empresa, os brasileiros já não creem que as lutas sejam tão violentas, e encaram os praticantes como atletas.
Se essa é a avaliação da maioria, eu não sei. Mas a minha, não é mesmo. Nesse evento no Rio, vi um trecho de um embate em que um dos lutadores, mesmo já caindo, tonto e sangrando, continuava a ser implacavelmente golpeado pelo seu oponente.
A mim, o tempo que o juiz demorou para interferir e acabar com o massacre pareceu uma eternidade.
Há séculos que a humanidade promove lutas sangrentas apenas como entretenimento. Agora, a vantagem é que ninguém mais é obrigado a entrar numa arena para colocar a vida em risco. Mas ver duas pessoas se agredindo apenas pela diversão alheia me é bastante desconfortável.
