Mente Sadia: Verdades pontuais
Agosto 26, 2011 Nenhum comentário
O texto de hoje tem por objetivo alertar sobre armadilhas que criamos ao nos relacionar com o outro.
Criamos expectativas, nos iludimos com pequenos gestos de atenção, falas pontuais.
Nos decepcionamos sempre ao nos confrontarmos com a verdade, ou as verdades, principalmente quando criamos um mundo de ilusão e imaginações.
Nos chateamos com o outro, sim, mas com um pouco de consciência e autoanálise, nos apercebemos que nos deixamos ser enganados, trapaceados, desrespeitados.
Se não estivermos embriagados, dopados, entorpecidos pelos efeitos da paixão, ou substâncias similares, que tiram nossos pés do chão, temos, sim, condições de avaliar a situação e percebermos quando estamos na imi-nência de sermos enganados. As mentiras só se sustentam quando o interlocutor se deixa levar – “mentir para si mesmo sempre é a pior mentira”.
Mas nem tudo numa relação são verdades absolutas ou mentiras propositais. Há sempre um espaço entre as verdades e mentiras que pode determinar o caos, ou o equilíbrio da relação.
Para conseguir o objetivo pretendido, uns usam de extrema sinceridade, abrem o coração e a alma, ficando vulneráveis às próprias emoções. Outros se valem de qualquer artifício para conseguir seu intento, e tão logo o conseguem, se esvaem toda sedução, paixão, interesse, admiração, dedicação.
Há uma “categoria” de pessoas que agem pelo momento, fazem juras de amor, fidelidade “forever”, como se acreditassem absolutamente naquelas emoções, fazendo com que o outro perceba suas falas e comportamentos como reais, verdadeiros e duradouros.
Nesta “categoria”, estão os que geram amor e ódio; apego e ressentimento; expectativa e frustração; sentimento intenso e vazio enorme.
Por que isso acontece?
Porque são pessoas que agem pontualmente, não importando muito o antes e o depois. Quando estão, estão por inteiro, sentem e transmitem a voracidade do seu sentir, sem mentiras e enganações, expressam apreço, valorização, querer bem; tomadas por sensações de gratificação e prazer, reagem “amando” e desejando que aquele momento se perpetue para todo o sempre. E o que se pode ter dessas pessoas é o momento.
Criar expectativas, se iludir na vã tentativa de eternizar aquele momento, é cair na armadilha armada por si mesmo, pois pessoas dessa natureza fugaz não se vinculam e mantêm atitudes e comportamentos tão desejáveis, constantemente: agem pela intensidade do momento; até querem perpetuar, mais não é a relação, não é o outro, é o prazer advindo daquele encontro.
Tão logo o encontro se desfaz, a saciação dos desejos se interrompe, se tornam outras pessoas, capazes de não dar um telefonema, deixar na espera, “dar perdido” em quem “amara” com tanta intensidade; até que, tempos depois, um novo encontro “casual” aconteça e a história se repita.
