Mente Sadia: A história se repete
Agosto 5, 2011 Nenhum comentário
Mais uma vítima do uso abusivo das drogas, inclusive o álcool. Aos 27 anos de idade, morre a cantora e compositora Amy Winehouse, famosa pelos dons artísticos e escândalos públicos. Mas podemos imputar a culpa na bebida, nas drogas? Ou melhor, repensarmos a condição humana, em que um ser não cresce isoladamente, é fruto de uma teia familiar, com crenças, valores e cultura distinta?
Amy não chegou aonde chegou por acaso, tanto artisticamente como nos aspectos autodestrutivos. Havia ali as condições necessárias para o desregramento. Assim como os famosos, pessoas que vivem no anonimato passam por situações semelhantes, em que os danos afetivos, emocionais, criam “buracos” no desenvolvimento da personalidade, os quais atrapalham o bom fluxo da energia vital. São como portas abertas, que permitem a entrada de qualquer um, ou coisa, que possa dar a sensação de preenchimento, de afastamento das inquietações psíquicas e da angústia.
Ocorre que, nestes casos, os cuidadores, pais e outros responsáveis, na maioria das vezes aqueles que contribuíram na deformação da personalidade, continuam empurrando os filhos ladeira abaixo, sem saber, ou querer saber. Negam a realidade dos fatos, e perpetuam uma relação doentia que mais parece perversa do que amorosa.
Invariavelmente, o que se observa são atitudes que justificam os descaminhos. Começando pelo exemplo do pai de Amy, que, depois dela ser internada por orientação da gravadora, ele, o pai, o que deveria zelar pela integridade física e mental da filha, vai até a clínica, assina sua alta, justificando – a ele mesmo – que ela não tinha problemas, só estava um pouco deprimida por causa da separação. Assinou ali a sentença de morte prematura da própria filha. Outros exemplos semelhantes: um garoto não muito dado às responsabilidades e à honestidade relata a admiração pelos pais, religiosos fervorosos, lutadores com a vida. E na verdade o são, mas produziram filhos problemas (dois filhos), um envolvido com drogas, latrocínio, e o outro irresponsável, manipulador, do tipo “não tô nem aí”.
Detalhe: entre outras coisas, o pai possui uma habilitação falsa; a mãe é complacente com “os meninos”. Diz ela: “Ah, eles não têm jeito, mas são meninos bons (20 e 23 anos)”.
Outro caso: um garoto de 21 anos estava com comportamentos estranhos. Saía, não dizia para onde ia, passava a noite fora, dormia o dia todo, não queria saber de trabalhar e estudar. Até começou a fazer faculdade, mas mais faltava do que ia. “Saía com os amigos”. Demorou para os pais perceberem que estava usando drogas (usava desde os 15 anos). A solução encontrada: afastá-lo dos amigos, eles, os amigos, eram má influência. Alugaram um apartamento em Campinas e lá ele deveria ficar morando e estudando.
Resultado: é lógico, sozinho, com apartamento, dinheiro e oportunidades, desandou de vez. Não satisfeitos, os pais não ouvem os profissionais que querem ajudá-los. Eles sabem o que fazer. O filho continua nos desvios e os pais, nos enganos. Dizem que amam, mas dão todas as oportunidades (dinheiro, carro) para o filho se matar e, junto com ele, ainda levar pessoas inocentes. Estes e outros casos revelam a loucura de pais que, independentemente do poder aquisitivo – até porque dinheiro e saúde mental não são sinônimos –, praticam o desamor, pois não veem o outro (filho) em seu sofrimento; criam uma barreira emocional capaz de blindar a sensibilidade perceptiva do grau de gravidade da situação, nos deixando estarrecidos com os desfechos.
