Francamente: Posso falar o que penso?

Agosto 5, 2011 Nenhum comentário

Uma vez por semana, publico, na Gazeta de Limeira, esta coluna, que é reproduzida em três sites. Assim, torno públicas as minhas opiniões sobre os mais diversos assuntos, por mais desinteressantes que elas sejam. Mas há quem insista em ler estas mal traçadas e, entre estes, existem aqueles que, conhecendo-me, gostam de comigo comentar os meus escritos, às vezes concordando, outras tantas, discordando.

Mais afeita à interatividade sem limites, a inter-net, quando recebe minhas colunas, também as expõe ao julgamento de quem as lê. O resultado dessa análise acaba aparecendo nos comentários daqueles que se dispõem a perder alguns minutos para manifestar suas próprias opiniões acerca daquilo que escrevi.

Sendo assim, tenho consciência de que, pelo privilégio de poder levar a público minhas opiniões, devo fazê-lo tomando algumas precauções. Sei que posso, por exemplo, criticar o trabalho de um deputado. Mas não seria prudente, nem honesto, de minha parte, acusá-lo de algo como corrupção, a não ser que pudesse provar de maneira inconteste a veracidade do que divulguei.

Hoje, porém, a possibilidade de estender a um sem-número de pessoas as suas opiniões está ao alcance de muito mais gente. Está aí a internet, com todas as suas possibilidades, permitindo que qualquer um bote a boca no trombone.
Isso, por um lado, é muito bom, pois é fundamental para a democracia que todos possam se expressar. Por outro, causa apreensão que um maníaco, um doido varrido, tenha o mundo todo como um potencial destinatário de suas mensagens. Como ocorreu com o norueguês que assassinou dezenas de pessoas, e lançou na internet um texto sem sentido sobre a necessidade de se proteger a Europa. Pode apostar que ele fez por aí um montão de simpatizantes.

E como reagir ante uma piada que diz que mulheres feias deveriam agradecer por serem estupradas? Particularmente, acho sem graça e ofensiva. Mas causou polêmica, ao ganhar a internet, a ponto de chamar a atenção do Ministério Público, que pede explicações. Seria a piada, além de grosseira, uma incitação ao crime? E as passeatas em favor da liberação da maconha, podem ser enquadradas como apologia às drogas? Ou seriam só a manifestação da opinião legítima de um grupo de pessoas?

Se eu for gravado, sem saber, blasfemando no meu quarto, e o vídeo acabar na internet, posso passar por apuros se alguém se sentir ofendido? Se acredito com convicção numa ideia, por mais idiota que ela pareça, até que ponto tenho o direito de defendê-la em público? São questões que ainda vão provocar muitos debates. Mas que, aposto, nunca terão uma resposta convincente.

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