Francamente: Há cada vez mais fronteiras
Agosto 12, 2011 Nenhum comentário
Já houve quem sonhasse, talvez ainda haja, com um mundo sem fronteiras e sem bandeiras. Onde seríamos todos apenas aquilo que fomos concebidos para ser: seres humanos. Nesse planeta utópico, não importaria se seu vizinho falasse este ou aquele idioma, ou se tivesse a pele clara ou escura. Na verdade, nem faria diferença se ele fosse seu vizinho. O que se levaria em conta é que seríamos todos, unicamente, seres humanos.
O que sabemos, porém, é que se houve, e se ainda há, pessoas que sonharam com um mundo assim, tudo não passou, e passa, de só isso mesmo, um sonho. Porque o que vemos, na lida diária, é justamente o contrário. Há cada vez mais fronteiras a delimitar “nossos” territórios. Existem mais e mais bandeiras a identificar as cores que defendemos. A cada dia, surgem mais minuciosos detalhes a nos repartir neste ou naquele bloco.
Outro dia mesmo a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a criação do Dia do Orgulho Heterossexual. Como se alguém devesse se orgulhar por ter esta ou aquela orientação sexual. Falando a verdade, não sou nem muito a favor de datas como o Dia do Orgulho Homossexual ou o Dia da Consciência Negra. Acho mesmo é que servem para marcar ainda mais as nossas “diferenças”.
Ou nenhum amigo seu, sendo “branco”, ou você mesmo, idem, já defendeu a ideia de que, “se tem um dia para os negros, deveria ter um para os brancos também”? Mas, no caso de homossexuais e negros, há que se entender o histórico de discriminações a que foram, e são, submetidos. Determinar uma data para um ou outro grupo não deixa de ser uma forma legítima de anunciar que, “sim, também existimos, somos seres humanos e temos o direito de habitar este planeta tanto quanto qualquer outra pessoa”.
Por outro lado, bater no peito com toda a pinta de machão para bradar que “Gosto de mulher!” é uma atitude tão besta, tão descabida, que dá até vergonha alheia. Fazer disso uma data oficial em um município tão multicultural e multiétnico como São Paulo é simplesmente ridículo, para utilizar um adjetivo publicável.
Deveria ser reconhecido absurdo alguém proclamar que tem orgulho de ser branco ou heterossexual. Até porque a cor da pele ninguém escolhe, e a orientação sexual, defendem muitos estudiosos, não é bem uma opção, e sim uma característica. E também se for uma opção, e daí? Cada um que se relacione física e afetiva-mente com o outro como achar melhor, desde que o outro, é claro, concorde.
Mais gente pensasse assim, e não teríamos casos como o do pai e seu filho que, abraçados, foram espancados por acharem que fossem gays. Então pergunto: de que essa gente tem tanto medo para agir assim? Da concorrência?
