Leo Rodriguez, de 20 anos, é mais uma aposta do pop sertanejo
Julho 22, 2011 Nenhum comentário
O sertanejo deve ser atualmente o ritmo mais popular do Brasil. É consumido nos quatro cantos do país por todas as classes sociais, lota shows do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste, e transforma seus principais nomes em grandes e milionários ídolos nacionais.
Natural, portanto, que atraia cada vez mais os jovens músicos, gente que sabe que não enfrentará os preconceitos reservados aos artistas do gênero que os antecederam. E que tem noção de que o sertanejo é hoje – quem diria? – pop.
Com apenas 20 anos, Leo Rodriguez faz parte da geração que vem justamente se autodenominando “sertanejo-pop”, uma variação modernizada do propalado sertanejo universitário. É uma turma que já cresceu numa época em que, para fazer música sertaneja, nem é preciso ter um parceiro, fazer parte de uma dupla. Que, na verdade, bebe muito mais na fonte do country americano do que na das canções de raiz do homem do campo brasileiro.
Natural de Descalvado, Leo tem outra característica que o torna exemplo tão típico destes tempos: fez primeiro sucesso na internet para, só depois, lançar-se na indústria fonográfica, onde agora es-treia com o disco “Atmosfera”. Com sangue artístico correndo nas veias – neto de avô violeiro e filho de mãe atriz –, ele inicialmente pendeu para a bateria, que aprendeu a tocar aos 10 anos e com a qual acompanhava a mãe, que cantava nos cultos de uma igreja evangélica.
Mas seria a infância no interior que o faria decidir qual ritmo musical seguir. “Cresci ouvindo música sertaneja”, justifica. Autointitulado um “fascinado por instrumentos musicais”, Leo se mudou para São Paulo aos 15 anos, com o intuito de trabalhar numa empresa de eventos da família. Nessa época, tinha a música apenas como um hobby, mas mesmo assim decidiu fazer aulas de violão e canto. Também já arriscava as primeiras composições, quando, inesperadamente, foi convidado por um conhecido para gravar umas músicas, assim, sem compromisso.
Leo não só topou como se empolgou. Das sessões no estúdio, nasceu um disco, que ele foi postando aos poucos em redes sociais. “Usei o Twitter e o Facebook para mostrar meu trabalho às pessoas, que começaram a gostar”, conta. Não tinha, porém, o dinheiro necessário para lançar o CD. Até que suas músicas foram parar nos ouvidos de um empresário do ramo, que o levou para a Sony Music. Estariam unidas, daí para frente, a fome com a vontade de comer.
Leo regravou as canções, até porque sua voz passara por modificações. “Segui na linha sertanejo-pop, com temas românticos e arranjos diferentes daqueles do sertanejo raiz”, explica. E nunca tentou montar uma dupla? – é a pergunta inevitável. “Até tentei no início, mas não deu certo”, responde, já emendando uma justificativa cada vez mais comum: “O mercado está absorvendo os cantores solos”. E, claro, cita o exemplo mais que bem-sucedido de Luan Santana.
Aliás, se ele é tão jovem quanto o cantor que inspira seus passos, nada mais natural que seus fãs acompanhem sua faixa etária. “Acho que uns 80% dos meus fãs são jovens”, confirma, logo adiantando que está buscando diversificar esse público. “Nos meus shows, procuro mostrar um repertório bem eclético para agradar a todas as idades”, ressalta. Esse objetivo pode ser mais facilmente alcançado com a penetração de seu disco de estreia nas rádios. “Estou tendo um bom retorno das rádios”, comemora Leo. “O momento é propício para meu gênero musical, com vários artistas se destacando”.
A divulgação se completa com as entrevistas, às quais ele vem se acostumando, e com os shows, que já passaram por vários Estados das regiões Sul e Sudeste. Mas é no interior paulista que Leo se sente realmente em casa e onde é mais bem recebido. “É onde comecei e estou tendo um resultado maravilhoso”, pondera, orgulhoso de ter se tornado uma celebridade em sua Descalvado.
“Minha família ainda mora em Descalvado e vou para lá uma vez por mês”, conta. “Fico muito feliz de ser recebido com carinho pelos amigos, pelas pessoas que estudaram comigo, e por saber que a população de lá torce muito por mim”.
É, enfim, “pop” em sua terra natal, assim como pretende ser, com seu sertanejo, no resto do país.
Por Marcos Paulino
