Francamente:Rivais sim, não inimigos
Julho 1, 2011 Nenhum comentário
“Freguês bom sempre volta”, estampou o site oficial do Corinthians logo após a goleada sobre o São Paulo, por 5 a 0, no clássico disputado domingo passado. E isso não está aqui porque estou querendo sacanear os são-paulinos por causa do placar histórico obtido pelo meu Timão. Isso já fiz a semana toda, virtual e pessoalmente.
Os motivos da lembrança aqui são mais nobres. Só para recordar. Na última vitória corintiana sobre o São Paulo, antes dessa sonora goleada, o site do clube já trouxera uma manchete irônica: “CPF na nota?”, uma clara alusão à “freguesia” tricolor, que há 11 jogos não vencia o rival.
Na partida seguinte, os são-paulinos se esbaldaram com o gol de falta de Rogério Ceni no Corinthians, o centésimo da carreira do goleiro. E o site do clube replicou essa alegria, manchetando: “Centenário: SCCP entra para a História”. Atente, leitor, que a sigla é de Sport Club Corinthians Paulista, e que a página do São Paulo fazia graça e trocadilho com a falta de títulos no ano em que os corintianos comemoraram seus 100 anos de fundação.
Apesar da derrota, o site do Corinthians tentou não passar recibo. “Zebra em Barueri”, escreveu, ironizando o placar do confronto realizado naquela cidade da Grande São Paulo.
Lembro tudo isso, correndo o risco de minar sua paciência, leitor, só para mostrar como pode ser divertida e saudável a convivência entre rivais. Nesse bom combate de criatividade, ganham todos, até os torcedores dos times derrotados, que pelo menos podem rir um pouco de sua própria desgraça.
Fico só imaginando o que o site do São Paulo trará numa eventual vitória tricolor no segundo turno do Brasileirão. Ou o que os corintianos escreverão se tiverem o placar a seu favor novamente. Ser rival é uma coisa, ser inimigo é outra.
A presidente Dilma Rousseff deu uma notável prova disso ao cumprimentar Fernando Henrique Cardoso por seus 80 anos. Ao antecessor de Lula, mandou uma carta em que, sem deixar de lado as diferenças de ambos em várias questões, reconhecia a importância do ex-presidente como pessoa, como político e como ex-autoridade máxima da nação.
E agora, nesta semana, a morte do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza deu margem para que novas mostras de civilidade fossem apresentadas. Vários de seus adversários políticos compareceram ao velório para uma última homenagem e, em público, ressaltaram aspectos de sua vida pessoal e profissional.
Nosso mundo precisa muito de tudo isso. É necessário que se saiba rir mesmo quando as coisas não saem como gostaríamos. Há que se respeitar e valorizar aqueles que são dignos adversários. É preciso impregnar a sociedade de educação, de gentileza e de tolerância.
