Corpo Sadio: Tenha fé
Julho 8, 2011 Nenhum comentário
A recuperação de pacientes com câncer está diretamente ligada à sua religiosidade. Taxativo assim é o resumo dos resultados de um estudo realizado na Universidade de São Paulo. “Para começar, os pacientes que têm uma crença religiosa se mostram mais confiantes para lutar contra a doença”, diz a psicóloga Joelma Ana Espíndula, que liderou a pesquisa.
O surpreendente é que até mesmo os profissionais de saúde entrevistados restauram a importância da religião para a melhora do quadro dos doentes. A maioria deles acredita que a fé ajuda a superar um problema grave. Os médicos dizem que o sistema imunológico desses indivíduos aparenta ser mais resistente, e talvez por isso eles apresentem uma recuperação mais satisfatória. Outro estudo, que leva a assinatura da Universidade de Toronto, no Canadá, revela que a fé é um santo remédio contra a ansiedade e a depressão. Ele prova que pessoas religiosas ou que apenas acreditam na existência de Deus são menos angustiadas e sentem menor culpa em relação aos próprios erros.
A principal descoberta foi perceber que há um elo entre as crenças religiosas e a atividade de uma parte da massa cinzenta chamada de córtex cingulado anterior. Quanto mais as pessoas acreditam em Deus, menos atuante é essa região. Só para ter uma ideia, o córtex cingulado anterior costuma trabalhar em dobro em indivíduos pra lá de ansiosos.
O sentido que a religião dá para a vida dos pacientes pode ser a chave para explicar esse fenômeno. A performance física de um indivíduo depende de aspectos emocionais, mentais e espirituais.
A oncologista Nise Yamaguchi, uma das mais conceituadas especialista do país, diz: “Quem acredita que a vida continua após a morte tem uma postura diferente da pessoa que não crê na continuidade. Entre meus pacientes, percebo nitidamente o seguinte: aqueles que querem educar filhos, ou deixar um legado, lutam em dobro para recobrar suas forças”. A fé, entre seus inúmeros benefícios, está inclusive a aquisição de mais saúde. Isso não quer dizer, porém, que aquele que tem fé não fique doente nem passe por dificuldades na vida.
A condição humana presente é em muitos aspectos limitada. Marcelo Saad, fisiatra estudioso do assunto, revela que os indivíduos mais religiosos têm maior adaptação ao estres-se, menor pendor ao abuso de drogas e álcool, além de apresentarem risco reduzido de desenvolver depressão ou cometer suicídio.
A explicação pode estar em substâncias produzidas pelo corpo nos momentos em que rezamos, ocasiões em que não deixam de ser agradáveis. Nessa hora, o organismo secreta a sere-tonina, que é conhecida como o hormônio da felicidade. Apesar do entendimento crescente sobre o impacto da religião sobre as funções orgânicas, a ciência ainda engatinha nesse campo. É uma fase de questio-namentos, e qualquer explicação mais específica de mecanismo é prematura.
Ninguém, no entanto, pode duvidar de que a fé auxilia na recuperação de pacientes. Além disso, muitas vezes a religiosidade pressupõe que a pessoa está dentro de um grupo de relacionamento, ou seja, aberta à interação social e à troca de afeto, o que é bastante significativo. “Um dos grandes poderes da fé pode estar nessa força de um indivíduo apoiando o outro”, completa o psicobiologista José Roberto Leite, da Universidade Federal de São Paulo.
