Mente Sadia: Um café?
Junho 23, 2011 Nenhum comentário
Havia um tempo em que um café era apenas um café. Hoje ele pode ser forte, fraco, solúvel ou de coador, descafeinado para os mais sensíveis aos efeitos da cafeína, puro, com açúcar ou adoçante. O fato é que continua a fazer parte do dia a dia de muitas pessoas, que apreciam o sabor, tomam para espantar o sono ou como um pretexto para dar uma pausa no trabalho.
Tem sido assim.
O mundo moderno nos põe frente a coisas naturais, como um café, com várias opções: de prazer, consumo, escolha, culpa. Antigamente, as coisas pareciam ser mais simples.
Estamos complicando o nosso jeito de viver?
Sim! De certa forma, estamos complicando, perdendo a ingenuidade e a espontaneidade.
A avalanche de informações nos tem chamado às responsabilidades.
Vamos aos exemplos: em uma lanchonete, duas moças vão fazer o pedido. Uma delas diz à colega: “Não pede para tirar nada do seu lanche, o que você não quiser eu como”. “Coincidentemente”, a que faz este pedido é bem mais gordinha que a outra, contudo não demonstra constrangimento, culpa em comer mais em um mundo que valoriza a magreza como forma saudável. Porém, se comer sempre além do necessário, poderá ter problemas de saúde pelo excesso de sal, gordura e consequentemente obesidade.
Em uma conversa com seu amigo, ligado em informações de vida saudável, ele diz que tem mantido uma dieta apropriada, não comete excessos, dorme bem, mantém uma regularidade nos seus afazeres. A conversa muda, e nos deparamos comentando sobre uma pessoa que está gravemente adoentada. Essa pessoa, segundo meu amigo, que tem convivido mais de perto, também sempre foi muito regrada em relação à alimentação e aos cuidados pessoais. Estranhou, o meu amigo, que ela esteja doente.
Em outro exemplo, para chegarmos aos comentários finais: em uma fila do restaurante para se servir diante de tantas opções, uma senhora comenta que não pegará beterraba, pois ouviu na TV que beterraba faz mal. Sabe-se lá o que a reportagem queria dizer, talvez que, assim como o tomate e o morango, a beterraba absorva mais os agrotóxicos, mas a senhora já excluiu (talvez até por não gostar) a beterraba de seu cardápio.
Esse excesso de informações ajuda a ter maior discernimento, mas neurotiza pelo excesso, fazendo com que as pessoas deixem de dar importância, mas, lá no fundinho, fiquem com sentimentos de remorso ou culpa quando cometem os pecados da gula.
Ou de ingerir alimentos tidos como nocivos, ou quase enlouqueçam em tentar acertar sempre e se assustem, como meu amigo, ao se deparar com o fato de que podemos, sim, e devemos, fazer a nossa parte, em se tratando dos cuidados com a nossa saúde, mas também termos a consciência, o saber de que vivemos num mundo sem garantias.
Achamos que podemos, se fizermos isto ou aquilo, controlar as coisas, mas muitas delas são o que são e ponto!
