Mente Sadia: Nostalgia
Junho 3, 2011 Nenhum comentário
No momento, nostálgico não sei se é bem o nome que se dá a um conjunto de sentimentos, pensamentos e emoções que tenho vivido. Tenho voltado às coisas da infância e da adolescência, em razão de segundos, ao entrar em contato com crianças e adolescentes dos dias atuais.
Nessas viagens ao passado e logo de volta ao presente, tenho feito algumas reflexões a respeito da vida, e da minha vida.
Recentemente, estive numa escola estadual – a bem da verdade, minha concepção de escola é de que todas, estadual, municipal, federal, particular, deveriam ser de qualidade, pois atendem uma população que integra uma sociedade. Dividida em castas, como no passado? Mas é uma sociedade. Portanto, não deve haver discriminação em relação à sua clientela. As escolas deveriam ser neutras no tocante às classes socioeconômicas.
Voltando à minha ida à tal escola, fui tomado de “susto”, surpresa, já a caminho da tal escola. Fui a pé levando uma criança de 7 anos.
Ruas sem faixas para pedestres e calçadas irregulares, esburacadas, sem calçamento. Num determinado trecho, uma porção de entulho, pelo visto, há muito tempo tomava conta da calçada, fazendo com que pessoas – crianças, adolescentes, adultos e idosos que por ali passam – tenham que desviar pela rua, se espremendo no meio-fio para não ser atropeladas. Chegando a escola – graças a Deus, já fui sendo preparado pelo caminho – encontro um alambrado todo esburacado, não havendo necessidade dele, a não ser para lembrar a população que ali um dia teve uma cerca de alambrado.
As crianças e seus cuidadores, naquele momento inclusive eu, se aglomeraram próximos de um portão interno, que, aberto, deu acesso a um espaço grande à espera das professoras.
Detalhe: um pátio de chão batido com tocos de árvores expostos, de todas as alturas, num ambiente que crianças se agrupam, brincam, correm.
Este fato levou-me à “minha escola”, também estadual, em que a limpeza, os cuidados, os banheiros tinham a atenção de seus cuidadores.
Hoje me dou conta de que assim também estavam educando, cuidando das suas crianças, oferecendo um modelo de bem-estar.
É sabido que as crianças incorporam valores, modelos, imagens, sons, cheiros, e tudo isso passa a integrar os alicerces de sua personalidade. Então, uma escola que por si só apresenta um mundo desgovernado, arrebentado, que cidadão pretende construir? Que sociedade pretende forjar? Em pleno século 21, com tanta tecnologia, recursos, conhecimentos, é inadmissível que nós, adultos, não nos responsabilizemos pelo que estamos fazendo com os outros e com nós mesmos.
“Por acaso”, reencontrei uma amiga, desde a infância, hoje diretora de uma “Escola Modelo”, e comentei o caso. Ela, que também estudou na mesma escola pública que eu, e é uma entusiasta na teoria e na prática de que a educação é um todo, dentro e fora da sala de aula, reconheceu que há muito por fazer, e concluímos que há um vício em terceirizar responsabilidades, o que torna inviável a prática de um novo modelo de Educação.
