Mente Sadia: Desbloqueio emocional
Junho 17, 2011 Nenhum comentário
Recentemente, ouvi sobre uma “nova” técnica de psicoterapia, como se fosse a terapia das terapias.
Na verdade, todas as formas que conheço de psicoterapia objetivam ajudar a pessoa em sofrimento a se desenvolver emocionalmente. A roupagem, ou linha psicoterápica, como se diz, é um instrumento fundamentado em estudos, pesquisas e práticas que consolidam um método de intervenção. Embora não se autointitulem como terapias de desbloqueio emocional, de certa forma, para que tenham êxito, todas o fazem.
Para ilustrar com um exemplo verdadeiro, vou contar brevemente a história de Rafael (nome fictício, é lógico). Rafael tinha 12 anos quando chegou ao consultório trazido pela mãe. Na entrevista inicial, foi aparecendo um histórico de sofrimento, diferente do que os pais achavam. Imaginavam eles que o mau desempenho escolar e o retraimento eram decorrência da separação de ambos. No entanto, quando fomos, juntos, reconstruindo a história, desde a intenção ou não de terem um filho, as condições da gravidez, o parto, as mamadas, os choros, chupetas, mamadeiras, “doenças” da infância e as atitudes dos pais frente a todos esses eventos, fomos descobrindo que algumas “esquisitices”, que consideravam normais, já eram o início de reações emocionais e físicas, demonstrando o desconforto, medo, ansiedade extrema.
Coincidentemente, o garoto “perdeu” vários passeios da escola porque estava doente: vômito, febre, dor de garganta, dores abdominais e até diarreia.
“Mas Rafael nunca deu trabalho, sempre foi bem relacionado na escola, tinha uma porção de amiguinhos e tanto as ‘tias’ como a direção da escola demonstravam gostar muito dele. Sempre foi bonzinho”.
Como se criança levada, arteira é que tivesse problema!
Passou várias vezes pelo pronto-atendimento médico, principalmente às vésperas de provas, passeios e eventos públicos, como Dia das Mães, por exemplo. Os sintomas, somáticos, estavam piorando, apareceram gânglios, vermelhidão na pele, como uma reação alérgica, levando à internação para avaliação.
Resultado: nada de definitivamente anormal em seus exames laboratoriais. Iniciamos um processo psicoterápico por volta de setembro, mesmo com um “olhar” meio desconfiado dos pais, pois não acreditavam muito que pela conversa eu poderia ajudá-lo, porque já tinha feito “vários tratamentos”, tomado uma porção de medicamentos e, vez por outra, lá estava ele doente.
No final daquele ano, com as notas baixas na escola e o risco de reprovação, Rafael “adoeceu”, confirmando a hipótese dos pais de que conversa não resolvia. Mas foi aí, in loco, que pudemos descobrir as amarras emocionais que travavam seu desenvolvimento. Ansiedade, medo, baixa-estima, vergonha e sentimentos de inadequação, não suportados pela mente de um garoto de apenas 12 anos, se expressavam pelo corpo em forma de doença.
Continuamos nosso trabalho, trabalhoso para os pais, que investiram tempo, dinheiro e tiveram que lidar com a ansiedade de resultados rápidos. Trabalhoso para o garoto, o qual, com ajuda, pode se defrontar com suas verdades até então desconhecidas. Trabalhoso para o terapeuta, que se pôs à disposição para abarcar esta empreitada, se reciclando profissionalmente, orientando os pais e suportando as experiências emocionais de uma relação verdadeira, ao vivo e em cores.
Hoje Rafael está com 19 anos, trabalha, faz faculdade, passeia, viaja, namora, tem perspectivas de vida e de futuro; diz que vive a melhor fase de sua vida.
Os sintomas? Ah! Esses fazem parte do passado, já há um bom tempo, mesmo se expondo tanto como um adolescente em pleno gozo de suas forças e hormônios.
