Francamente: Mundo bizarro e Facebook
Junho 10, 2011 Nenhum comentário
Em algumas das histórias em quadrinhos do Su-per Homem, aparece um planeta fictício chamado Mundo Bizarro. É um lugar onde a ordem é ser esquisito. Lá, nada pode ser bonito. Quanto mais próximo da perfeição estiver, pior. Conta a lenda que essa localidade horrorosa foi colonizada por um casal formado por clones mal feitos do Super Homem e de sua amada, Lois Lane.
Rejeitados na Terra, eles fizeram do Mundo Bizarro sua casa e trataram de povoá-lo com outras duplicatas mal-ajambradas dos cônjuges heróis. Outras estrelas dos quadrinhos também ganharam suas versões antagônicas, como um Aquaman que não sabe nadar, um Flash lerdo e um Lanterna Amarelo. Até o vilão Lex Luthor ganhou um “gêmeo” do bem.
Lembrava desse Mundo Bizarro dos desenhos animados inspirados nos quadrinhos, que cansei de ver quando criança. Consultei o oráculo Google, aquele que tudo sabe e vê, para lembrar de mais detalhes. E rapidamente encontrei na Wikipédia um verbete sobre o assunto, que recomendo para quem quiser mais informações.
As recordações do Mundo Bizarro emergiram das profundezas da minha mente em contraposição a outro planeta, que também ocupa uma dimensão paralela à da Terra. Está na galáxia virtual da internet, e é conhecido como Facebook. Tem características semelhantes a de outros mundos daquilo que se convencio-nou chamar de redes sociais, como o Orkut.
Porém, esses lugares têm um perfil exatamente oposto ao do Mundo Bizarro. No Mundo Facebook, ou em seus semelhantes, tu-do é perfeito. As pessoas são lindas, estão sempre de bem com a vida, fazem as comidas mais gostosas, realizam os passeios mais divertidos, tiram as fotos mais sensacionais. São bem-sucedidas no amor e no trabalho. Criam filhos que têm as pitadas ideais de doçura e peraltice. São donas dos bichos mais fofos do universo.
Se, eventualmente, estão tristes, recebem toneladas de mensagens de apoio. E lá sempre podem reencontrar amigos que não veem há séculos, mesmo aqueles que, na vida real, moram a dois quarteirões de suas casas. No Mundo Facebook, colegas de infância juram amizade eterna, parentes prometem se visitar, casais trocam juras de amor em público e mesmo as receitas mais simples são sauda-das pelo grupo com gritinhos de “Que delícia!” e “Também quero!”.
E o mais bacana é que desconhecidos querem se tornar seus amigos o tempo todo. Li sobre estudos que apontam redes sociais como causadoras de depressão, que atinge aqueles que não conseguem reproduzir aqui fora o que são lá dentro. Ou que acreditam que, para os outros, tudo é realmente tão perfeito. Eles também devem crer que o Mundo Bizarro de fato existe.
