Vestibulares – uma chance no meio do ano
Maio 27, 2011 Nenhum comentário
Diversas universidades, inclusive várias públicas, tradicionalmente abrem vagas para seus cursos no meio do ano. Conhecidos como vestibulares de inverno, esses processos seletivos oferecem aos candidatos uma chance a mais de entrar na faculdade com que sempre sonharam.
E há quem veja nesses concursos uma oportunidade de se preparar melhor para os vestibulares de verão, que são aqueles que normalmente reúnem as carreiras mais cobiçadas. Mas, enfim, vale a pena se inscrever nesses processos que acontecem entre junho e agosto?
A resposta, para Célio Tasinafo, diretor pedagógico do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, de Campinas, é “depende”. “É preciso avaliar se há ofertas de vagas nos cursos que realmente interessam ao estudante”, opina. Ou seja: não compensa prestar qualquer curso agora, só para evitar mais cinco meses de cursinho. O candidato também deve avaliar se a universidade de sua preferência oferece vagas em vestibulares de inverno.
“Também não compensa o vestibulando abandonar o sonho de ingressar nessa ou naquela universidade só para não ficar esperando mais alguns meses”, diz Célio.
Menos concorrência
O educador pondera que, apesar de a oferta de cursos nos vestibulares desta época do ano ter aumentado bastante nos últimos anos, o leque de opções ainda é pequeno se comparado com o dos processos seletivos de verão. “Talvez por isso, a maior parte dos vestibulandos foque mesmo nos vestibulares que ocorrem entre novembro e fevereiro”, analisa. “De tal maneira que, em muitos casos, a concorrência em vestibulares de inverno, mesmo em grandes cursos de ótimas universidades, é ainda pequena”.
Neste caso, afirma Célio, “o vestibular de inverno é uma ótima possibilidade de o aluno entrar em uma universidade de qualidade, no curso que deseja, sem a grande concorrência que ocorre nos vestibulares tradicionais”. E, se a opção for realmente encarar os vestibulares já, o candidato deve ficar atento a alguns detalhes, ainda que o conteúdo das provas seja basicamente o mesmo daquele dos concursos do final do ano.
“Normalmente, as provas de meio do ano pedem as mesmas disciplinas e dão o mesmo peso à redação dos vestibulares de final do ano, mas pode haver algumas diferenças na estrutura dos exames”, compara Célio. Nada, porém, que obrigue a grandes mudanças na forma de se preparar. Uma dica do diretor da Oficina é que o candidato faça provas aplicadas pela universidade em anos anteriores. Segundo ele, esses testes podem evidenciar o que aquela instituição costuma cobrar.
Perfil dos candidatos
Sobre o perfil dos alunos que se inscrevem nos vestibulares de inverno, há algumas diferenças em relação àqueles que só farão as provas no final do ano. Uma parcela é formada por quem já vem fazendo cursinho há algum tempo. Nesse caso, estão geralmente mais preparados que os debutantes. “Quem está fazendo cursinho pela primeira vez talvez encontre mais dificuldade no meio do ano por não ter revisto totalmente as matérias”, explica Célio.
Outro grupo que costuma não esperar apenas pelos últimos meses do ano é dos alunos que começaram uma faculdade, mas desistiram por não terem gostado do curso. “Há também aqueles que têm claro o que querem agora, mas não tinham no final do ano”, acrescenta o especialista.
Como não há uma edição do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Ministério da Educação, no meio do ano, diminuem as chances de se entrar numa universidade federal nesta época. Porém, instituições públicas e particulares de peso, como Unesp, PUC-SP, PUC-Campinas, PUC-Minas, FEI, UFTM e Mackenzie, oferecem vagas em vestibulares de inverno.
As Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) também realizarão um vestibular de meio do ano. São oferecidas 10.860 vagas, quase 10% a mais que no ano passado. As 51 Fatecs oferecem 60 cursos gratuitos de graduação tecnológica, que têm menor duração (cerca de dois anos), mas são igualmente aceitos como sendo de nível superior no mercado de trabalho.
Eles querem treinar
O grande sonho do estudante Ângelo Henrique Mu-nhoz Silva, de 17 anos, é cursar Relações Internacionais na UnB (Universidade de Brasília). Uma maneira que encontrou de se preparar melhor para o concurso, que acontecerá no final do ano, foi prestar o vestibular de inverno da UEM (Universidade Estadual de Maringá), do Paraná. “As duas universidades têm vestibulares muito parecidos”, justifica.
Na UEM, ele tentará Engenharia Mecânica. E com uma vantagem: se passar, poderá reservar a vaga na instituição, e preenchê-la caso se-ja aprovado no 3º ano do En-sino Médio, que está cursando no momento.
Isso é possível porque, apesar de oferecer um vestibular no meio do ano, a UEM promove o ingresso dos aprovados somente no ano letivo seguinte. Não é o mesmo caso da Unesp, onde aqueles que obtêm sucesso no vestibular de inverno começam o curso já no segundo semestre. Mesmo assim, também como forma de treino, Ângelo fará o concurso da estadual paulista, onde tentará Engenharia Civil. Como ainda não fez nenhum vestibular, ele quer se acostumar a esse tipo de prova.
Nesse sentido, Ângelo vem apostando também nos simulados. Ele calcula que já tenha feito “uns 35”. Sua rotina ainda inclui, além do colégio até as 12h40, estudo à tarde e à noite. Os simulados ficam para o final de semana. “Só saio de casa no sábado à noite se não tiver simulado no domingo”, conta.
Também aluno do 3º ano do Ensino Médio, Jonathan Sá e Silva, de 16 anos, é outro que vai fazer o vestibular da Unesp no meio do ano. Ele testará seus conhecimentos como um aspirante a uma vaga no curso de Engenharia Civil, mesmo sabendo que não poderá preenchê-la. “É um curso que tem uma nota de corte alta, então quero medir meu nível”, argumenta.
Igualmente estreante em vestibulares, Jonathan pretende ingressar em Administração, Economia ou Engenharia Civil, de preferência na própria Unesp ou na USP. Com esse objetivo, além do colégio, vem estudando quatro horas por dia e fazendo os simulados com regularidade. Porém, sempre deixa um tem-pinho para a diversão e a academia. “É só se organizar que dá pra fazer tudo”, acredita o estudante, que, baseado no bom desempenho que tem obtido nos simulados, está animado com a chance de passar nos vestibulares que vai encarar. “Estou confiante”, avisa.
Por Marcos Paulino
