Mente Sadia: União estável
Maio 20, 2011 Nenhum comentário
Seguindo a tendência mundial e saindo na dianteira como outros países já o fizeram, o Brasil acaba de reconhecer um fato: a união entre pessoas do mesmo sexo. Até então, a Constituição Federal reconhecia como unidade familiar o casamento entre um homem e uma mulher, porém, hoje não dá mais para negar os novos conceitos de família, tornando menos importante a anatomia – masculina, feminina – para considerar os laços afetivos que agrupam pessoas.
Neste momento, a União Estável de pessoas do mesmo sexo, além de dar legalidade “ao já existente” e se aproximar do preceito jurídico constitucional de que todos são iguais perante a lei, inclui os excluídos (as minorias) e promove a justiça social no tocante a bens e direitos.
As opiniões se dividem.
Para uma parcela da população, em nada altera a rotina diária, apenas pode tornar transparente nos lugares públicos a demonstração de afeto entre pessoas do mesmo sexo, o que até então era feito de modo velado, às escondidas.
Para outras pessoas, acostumadas a um padrão de comportamento onde um casal só era possível juntando um homem e uma mulher, levará um tempo para acomodar a ideia do novo. Porém, ainda os mais rígidos, sustentados por ideias moralistas, apegados às partes que lhes interessam da religião, sustentarão suas dificuldades em lidar com o diferente, tendo atitudes homofóbicas, esquecendo a máxima do Cristo: “Amará teu Deus sobre todas as coisas e a teu próximo co-mo a ti mesmo”.
Sim, levará um tempo para nos acostumarmos com o que está por vir, mas nada de desespero, não se trata do fim do mundo como uns querem acreditar, trata-se da chegada de um novo mundo, um mundo mais amoroso e menos preconceituoso.
O fato de hoje ter amparo legal à união de pessoas do mesmo sexo não significa que agora todo mundo terá que casar-se dentro deste modelo. Não pense que é um exagero. Tem gente que reage a esta situação como se passasse a ser obrigatório casar-se com uma pessoa do mesmo sexo. Não! Continua a mesma coisa, cada um escolhe se quer casar e, se quiser, poderá fazê-lo com uma pessoa do outro sexo ou do mesmo, só isso.
Ainda dentro deste tema, parece haver um avanço no sentido de esclarecer as pessoas e ajudá-las a repensar as relações humanas, inclusive substituindo nos textos o termo homossexualidade por homoafetividade, o que parece ser mais apropriado.
Veja: se os casamentos se sustentassem meramente pela questão sexual, poderiam acabar a qualquer momento, quando um acidente inviabilizasse a sexualidade, a atração deixasse de acontecer, o envelhecimento diminuísse a libido etc.
Há, sim, parceiros que por um tempo se dão muito bem na cama e nada mais importa. Mesmo que vivam um inferno de vida, se reafirmam como casal na hora do sexo.
Mas, na maioria, o que se observa, é a longevidade de uma união contida pelos laços afetivos, que “amarram” o casal.
Portanto, a tendência é de uma maior valorização da relação enquanto instituição afetiva, emocional, do que puramente de caráter sexual.
