Mente Sadia: Sair da rotina
Maio 27, 2011 Nenhum comentário
Escritores como Paulo Coelho e outros, assim como médicos especialistas em funções cerebrais, orientam a sermos menos metódicos, sedentários. Dizem que os estímulos e as reações físicas e psíquicas melhoram o desempenho do ser. Coisas simples, como mudar de calçada ao caminhar, ir por outra rua à mesma padaria, ir a outras padarias, mudar de farmácia, de supermercado, fazer outros trajetos nas caminhadas, são formas de estimular áreas do cérebro, tirando-o da mesmice.
Também viajar, sair da rotina, do pré-estabelecido, criar alternativas para não repetir dias, meses, anos o mesmo padrão de comportamento contribuem para o bom funcionamento físico e psíquico, além de possibilitar agradáveis experiências.
Há pessoas que passam pela vida fazendo a mesma coisa, se comportam como cães que viciam a correr atrás de seu próprio rabo e por isso não saem do lugar; acabam por se acomodar numa rotina diária e a repelir o novo; habitualmente se queixam de tudo e de todos, e criticam aqueles que se dão o direito de curtir a vida, justificando assim sua mesmice.
Um ex-paciente, que apesar de ter uma vida bem diversificada, mantinha alguns padrões de pensamentos fixos, criando por vezes dificuldades de relacionamento familiar, dizia: “Eu tinha um tio que só comia arroz, feijão e bife, viveu 96 anos, então essa coisa de salada, verduras, legumes, frutas é bobagem, não tem nada disso, não. É até melhor, o organismo acostuma com aquela alimentação e não sofre com as mudanças”.
Era uma forma de justificar sua própria rigidez/medo de não dar conta de digerir o novo, o diferente. Fica uma questão: vale a pena viver 96 anos e não saber o gosto delicioso de uma manga madura? Vale a pena viver 96 anos e não salivar ao experimentar uma boa mordida numa goiaba vermelha no ponto de ser comida? Vale a pena viver 96 anos e não comer um filé de salmão grelhado com molho de maracujá?
Então, é uma questão de escolha. A minha tem sido a de explorar novos lugares, gostos, culturas e aqui vou relatar o resultado disso de uma recente viagem que fiz ao Rio Grande do Sul. No avião, conheci uma garota que estava indo visitar a família. Na conversa, dados curiosos, que surpreendem nosso modo habitual de viver.
Adriana profissionalmente é enfermeira trabalhando a serviço da Petrobrás, sua jornada de trabalho é de 12 horas diárias, mas com refeições de três em três horas, com refrigerantes, sucos e sobremesas à vontade. Como é uma prestação de serviço terceirizado, trabalha 14 dias e folga 14. Brinquei: “E para quem a gente manda currículo, eu também quero esse ritmo de trabalho!”. Ela ri, e diz que os concursados que trabalham nas plataformas seguem outro padrão, eles trabalham 14 e folgam 21 dias.
Vejam: alguns trabalham de segunda a sábado, outros de terça a domingo, enfim, bem diferentes desses citados. A princípio, parece bem interessante, mas para alguns pode não ser, tanto é que o relato de Adriana é de que o uso de medicação para problemas psicossomáticos (distúrbios do sono, alimentares) é muito grande. Conclusão: temos sempre que buscar o que é melhor, o que é melhor para a gente, mesmo que destoe da maioria.
