Mente Sadia: Lapsos de memória
Maio 7, 2011 Nenhum comentário
Tem havido queixas constantes de lapsos da memória, relatados por pessoas de diferentes idades, o que não caracteriza então um problema do envelhecimento. A ciência médica deve ter explicações mais detalhado-ras sobre as causas do esquecimento, mas aqui traremos a questão à luz da ciência psicológica.
Em princípio, vamos desmistificar a necessidade do mundo moderno, que pretende nos elevar ao status de super-homens e supermulheres. Com a pujança do sistema capitalista, que visa lucros, a cada dia são criados produtos e necessidades para girar a “roda da fortuna”, e neste campo vale tudo: criatividade, realidade das necessidades ou até mesmo produtos fúteis que ficarão guardados no armário pro resto da vida.
Objetos são criados para facilitar a vida do ser humano, que parece estar cada vez mais complicada. As propagandas tendenciosas nos levam a acreditar que, se possuirmos tais itens de consumo, seremos mais felizes. Porém, a cada dia, há novos lançamentos e a necessidade de corrermos atrás das novidades, para que nesta maratona não fiquemos atrás daqueles que conseguirão mais rapidamente se apropriar da felicidade/produto. A indústria farmacêutica não para. Hoje você vai a farmácia e se depara com uma infinidade de medicamentos. Há remédios para tudo, ou quase tudo.
Cria-se a ilusão de que estamos protegidos, pois das caixinhas – de preços bem variados – virá a solução para todos os males: enxaqueca, depressão, gastrite, osteoporose, insônia, labirintite etc., com medicamentos modernos, “de última geração”, prometendo mais solução e menos efeitos colaterais.
Para a cozinha, então, longe do saudoso fogão à lenha, uma linha de utensílios que tornam o dia a dia um grande prazer. Será? Por que então as pessoas estão cada vez mais indo comer fora, ou utilizando as comidas pré-prontas, se temos fogões não poluentes, panelas que não aderem, descascadores, timers para não esquecermos o tempo de cozimento? Um mundo ágil, com uma porção de tem que. Tem que ter o carro; tem que ter a casa; tem que ter um bom emprego; tem que ter sucesso profissional e amoroso; tem que ter saúde; tem que ter um corpo esbelto; tem que ter aparência de sempre jovem; tem que estar sempre alegre; tem que ter cara de paisagem nos momentos mais difíceis da vida; tem que driblar a morte; tem que vibrar a vida; tem que sacudir a poeira e dar a volta por cima… São tantos os tem que, que cansa, desanima, estressa, dá falhas no sistema. Talvez esteja aí uma das causas do esquecimento, esquecer um pouco para “esfriar o motor”, bloquear a frenética correria do dia a dia, dar um tempo para descongestionar o psiquismo, entu-lhado de tantas coisas.
Em alguns casos, parece que o esquecimento é muito saudável, pois apaga também más lembranças, nos afastando de conteúdos internos, que, apesar do tempo passado, se nos lembrarmos deles, sofremos novamente. Acolhamos os esquecimentos, principalmente daquilo que em nada vai melhorar nosso dia a dia. E os que nos perturbam quando queremos contar alguma coisa e esquecemos nomes, fatos, datas, sejamos atentos, pois estes “esquecimentos” podem sinalizar que precisamos focar mais em nossos objetivos, administrar melhor nossas prioridades, “limpar” nossa mente de problemas insolúveis e, acima de tudo, melhorar nossa qualidade de vida.
