Mente Sadia: Adultos, mas…

Maio 13, 2011 Nenhum comentário

Adultos, mas com as amarras da infância.Freud, pai da psicanálise, tinha razão. A formação da personalidade, isto é, o alicerce da vida psíquica de um ser humano, se dá na infância. Enquanto ainda há muitos pais, educadores etc. que ignoram tal verdade, e são relapsos na responsabilidade de educar.

Na análise do sofrimento de adolescentes e adultos, nos deparamos com fatos do cotidiano que à primeira vista parecem ser os responsáveis pela irritabilidade, medo, ansiedade, depressão, porém, tais fatos nada mais são do que as oportunidades de vir à tona aspectos mal resolvidos, não elaborados, incompreendidos da infância. Estabelece-se um ciclo de sofrimento que se repete até que o indivíduo possa quebrá-lo. Alguns, por consequência das experiências de vida, vão superando suas dificuldades, ressignificando “automaticamente” sua própria vida.

Outros agregam aos conflitos pré-existentes novas experiências de desarranjos, aumentando os problemas. Há ainda os que procuram ajuda profissional e iniciam um trabalho de autoconhecimento, abrindo perspectivas de modificar o modo de lidar com as coisas, de forma a preservar sua saúde física e psíquica. Inconscientemente, indivíduos assumem um modo de viver que claramente, aos olhos dos outros, está carregado de sofrimento, contudo, para aquela pessoa, aquele jeito de viver já foi incorporado de tal forma, que parece ser normal, e o sofrimento, nestes casos, fica mais difícil a ajuda. No entanto, quando há inquietações, mesmo que o sofrimento seja constante, o prognóstico é melhor se houver reconhecimento e aceitação.

Reconhecer e aceitar as dificuldades são o primeiro passo para quebrar o ciclo repetitivo do sofrimento, levando luz às partes obscuras da mente, que tanto produz soluções para as dificuldades, como pode criá-las. Nossa mente é fértil, dela brotaram as sementes pré-existentes trazidas pela carga genética, juntamente com as plantadas no decorrer da vida. Se não houver uma seleção do que fica e do que deve ser arrancado e jogado fora, teremos um canteiro/mente abarrotado de coisas inúteis, atrapalhando o desenvolvimento daquilo que é útil e saudável.

Vez por outra, devemos fazer um balanço para avaliar o que manteremos no nosso guarda-roupas, na sapateira, nas gavetas, nos armários, bem como na nossa mente – principalmente –, e jogarmos fora o que não tem mais serventia, o que ocupa lugar útil, por ocupar, não que tenha mais importância.

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