Francamente: Não se compra a fé. Será?
Maio 27, 2011 Nenhum comentário
Outro dia assisti, incrédulo, a um pastor pedir dinheiro aos seus fiéis durante um programa de TV. É normal que os seguidores desta ou daquela religião contribuam com suas igrejas, afinal, espera-se, elas são entidades sem fins lucrativos que sobrevivem de doações. O que me chamou a atenção desta vez, no entanto, foi a forma como o líder religioso se dirigiu ao seu rebanho.
Ele disse que precisava honrar um compromisso de R$ 2 milhões em poucos dias e, para isso, contava com a colaboração de suas ovelhas. Inclusive dividiu as doações em três grupos: as de R$ 100 mil, as de R$ 10 mil e as de R$ 1 mil. E afirmou que esperava determinado número de adesões a cada um deles.
O pastor então seguiu pregando, deixando claro que aqueles que o criticavam por pedir dinheiro eram mesquinhos que não tinham Jesus no coração, aquela coisa toda. Sei lá se ele conseguiu seu intento, mas ficaria surpreso se soubesse que não logrou êxito. Não quero, e nem vou, criticar quem destina parte de sua renda à igreja, seja ela qual for.
Respeito, sinceramente, todas as religiões. E, se o sujeito acredita que doações em dinheiro fazem parte das obrigações que deve à sua igreja, que as faça. Problema nenhum. Não me importa se o devoto é católico, evangélico, budista ou espírita. A fé e o dinheiro são dele, e ninguém melhor do que ele mesmo para saber como usá-los.
O que me preocupa é o poder de manipulação de alguns líderes religiosos, mais uma vez, não importa de qual igreja. Há gente que é treinada para conduzir as pessoas pelo caminho que quer que trilhem. Sobretudo aquelas mais simples, cujo poder de discernimento tem mais propensão a ficar embaçado quando se colocam numa mesma panela ingredientes tão díspares – ou que pelo menos deveriam sê-lo – como fé e grana.
Quando uma pessoa ocupa uma função tão especial como a de pastor (só para ficar realmente claro: de qualquer religião) e mira os olhos de um seguidor, mesmo que através de uma câmera de TV, deve ter muito cuidado com o que vai dizer. Desde que o mundo é mundo, os homens procuram por seres iluminados que os guiem em direção à felicidade eterna.
Quando chama para si esse papel, um líder religioso pode, bem ou mal, mudar muitas vidas.
Também recentemente, vi o depoimento de um seguidor de uma denominação evangélica contando como se livrou das drogas depois de 15 anos de vício. Como tinha deixado o tráfico e salvo seu casamento após encontrar amparo naquela igreja. Que ótimo! Mais uma pessoa feliz no mundo. E nada mais legítimo que ele contribua, com seu trabalho ou dinheiro, para que outras pessoas sigam o seu caminho. Mas que faça isso porque quer, e não por ter sido persuadido a fazê-lo.
