Francamente: Futebol bem-humorado
Maio 20, 2011 Nenhum comentário
Quem é um pouco mais velho deve se lembrar do tempo em que as transmissões de futebol não eram um monopólio da TV Globo. Naquela época, meados dos anos 80, se não me engano, a Record montou uma equipe que faria muito sucesso, comandada pelo narrador Silvio Luiz. Os comentários eram responsabilidade de Pedro Luís e as reportagens no campo ficavam a cargo de Flávio Prado e Eli Coimbra.
Os trabalhos eram abertos com um jingle que começava com “Entrando em campo e dominando a bola”, que todo mundo sabia de cor. Lembro de vários trechos e fucei bastante na internet para tentar achá-lo na íntegra, mas não encontrei. Contudo, o que marcou época mesmo foram as narrações bem-humoradas de Silvio Luiz.
Ele introduziu uma maneira irreverente de fazer a locução dos jogos que, pelo menos para mim, era uma sensacional novidade. Vários de seus bordões são lembrados até hoje. Numa jogada de perigo, Silvio gritava: “Olho na laaaance!”. Se a bola passasse perto da trave, ele mandava um “Pelas barbas do profeta!”. Se batia na trave, era “No paaaaau!”. Nas cobranças de falta, dizia que os homens da barreira estavam “como Papai Noel”. Um cruzamento na área era descrito com “Botou a azeitona no meio da cozinha”.
Se era a Seleção Brasileira em campo, Silvio acompanhava os lances de perigo contra nosso gol com gritos de “Nhaca!” e “Sai lôca”. Se o jogador errava de maneira bisonha, perguntava “O que eu vou dizer lá em casa, fulano?”. E, depois de um gol, sempre perguntava ao repórter “O que só você viu, Flávio Prado?”, que era a senha para a descrição de algum fato interessante.
Era divertido assistir aos jogos com o Silvio Luiz narrando. Sempre achei que humor combina muito com esporte. E venho acompanhando com interesse a relação cada vez mais íntima entre essas duas áreas, o que em boa parte se deve ao atual formato do “Globo Esporte”. Desde que Tiago Leifert passou a apresentá-lo, o programa ganhou muito em bom humor. Agora, editores e repórteres se preocupam em ir além de divulgar o básico.
Descobrem personagens, sacaneiam-se o tempo todo, brincam com os entrevistados, pagam micos, enfim, divertem-se e divertem o público. De olho no sucesso que esse formato vem fazendo, vários outros programas têm procurado se tornar mais arejados. Afinal, se os jogadores sempre falam as mesmas coisas, é preciso combater o tédio com criatividade.
As reportagens sobre futebol do “CQC”, da Band, também acertam na cobertura bem-humorada dos jogos. Há, sem dúvida, um movimento que vem tentando melhorar transmissões e programas esportivos. E, o melhor, está, ao que parece, no caminho certo.
