Mente Sadia: Honestidade
Abril 16, 2011 Nenhum comentário
Vamos ser honestos! Temos um mundo doente.
O que podemos fazer? A nossa parte, seja para contribuir com a loucura ou ajudar, no que for possível, para manter nossa sanidade, com atitudes e pensamentos responsáveis. Se não podemos interferir nos problemas macros, podemos melhorar os pequenos, os quais podem repercutir positivamente nos grandes problemas.
Começando por nós mesmos, que perspectivas temos para o hoje? Estamos fazendo coisas saudáveis, prazerosas, responsáveis? Ou estamos relegando, deixando pra lá oportunidades de melhorar nossa qualidade de vida? Estamos semeando? O que estamos semeando? A colheita está diretamente relacionada com o que plantamos e cuidamos até o momento da colheita. Quando digo que temos um mundo doente, estou me referindo exatamente àquilo que vez por outra nos assusta, escandaliza, aterroriza. Exemplos? Temos uma porção deles, dos mais aparentemente insignificantes até os de grande impacto.
Um exemplo “insignificante”: hora do almoço, um restaurante aconchegante, chega um casal, com idade por volta dos 40, 50 anos. Educadamente cumprimenta as pessoas que ali estão, crianças e adultos. Em dado momento, toca o celular e o homem o atende de forma a tornar pública a conversa. Dizia ele: “Estamos aqui ainda em Rio Claro, deu problema no trabalho dela e ainda não saímos, quando chegar em Limeira eu te ligo”. Detalhe: estávamos em Limeira.
Olhamos uns para os outros, acabou a ligação, ele justifica para a mulher o porquê da mentira e tudo ficou bem.
Na nossa mesa, tinha um garoto de 10 anos. Idade de absorção dos conhecimentos, aprendizagem do juízo de valores, imitação do mundo adulto. Pensei: isso não pode passar em branco. Fiz um breve comentário: “Tem adultos que me envergonham de ser adulto”. Pelo que pude observar, o garoto compreendeu a mensagem.
Às vezes, não precisamos de um discurso longo, que pode se esvaziar pelo excesso. Naquele momento, não cabia dar uma bronca no mentiroso, mau exemplo, nem o conhecia, poderia criar um problema “por nada”. Fiz o que pude naquele momento, para demonstrar para a criança que os meus valores, enquanto adulto, são diferentes daquele.
Um exemplo macro. As guerras, os investimentos milionários em armamentos para libertar da opressão pessoas subjugadas por um sistema, enquanto milhões de pessoas vivem aprisionadas pela pobreza, pela miséria, sem forças para lutar pela saúde, pela educação, pois a energia que lhes resta é utilizada para conseguir alimento para aquele dia. Não poderia deixar de citar o triste episódio no Rio de Janeiro, do rapaz que só ficou conhecido porque criou um fato chocante para a sociedade. A mesma sociedade que nega ajudar as pessoas doentes, se exime de sua responsabilidade social permitindo que, a granel, sem tomar espaço na mídia, no dia a dia, inúmeras pessoas – crianças, adolescentes, adultos e idosos – sejam assassinadas pela incompetência de pais irresponsáveis, pelo aliciamento de traficantes de plantão, pela inoperância da polícia, pela frouxidão da justiça, pela cegueira do poder público.
Caso como este do Rio e tantos outros poderiam ser evitados se houvesse mais interesse e responsabilidade por parte de uma sociedade de consumo, que ainda prioriza o ter em detrimento do ser, do ser humano.
“Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois. Para banir do mundo a opressão, vamos precisar de muito amor” (Beto Guedes)
