Mente Sadia: Ei, Sou eu!

Abril 9, 2011 Nenhum comentário

Fomos almoçar num lugar tranquilo, boa comida, preço acessível, próximo à natureza; um lugar simples, com pessoas dedicadas, dando a sensação do já te vi antes. Dada a espontaneidade, o ambiente traz a sensação de estarmos em família – uma boa família.
Embora, em dado momento, conversando com os proprietários, tenhamos falado sobre a insegurança proveniente de furtos, o ambiente em nada traduzia o medo dessas mazelas.

Ah, que sensação boa! Este episódio me fez refletir vários aspectos da vida humana nos dias de hoje, os quais tentarei alinhavar mais ao final deste texto, após descrever mais algumas experiências.
Recentemente, fui ao banco em que mantenho uma conta há 20 anos, ele se modernizou, substituiu uma porção de funcionários por caixas eletrônicos, possivelmente aumentando seus lucros, diminuindo os problemas trabalhistas, pagando salários menores. Até mudou de nome!

Fazendo uso da “modernização”, pouco tenho passado pela porta de segurança, onde de cara temos que deixar nossos pertences metálicos, encarar um segurança com cara de desconfiado e engolirmos a seco: eu, com cara de bandido? Os que estão ali dentro estão com medo dos que estão chegando, os que estão chegando estão com medo de serem barrados na porta giratória, de serem assaltados oficialmente por juros que chegam a 12, 15 por cento ao mês, dependendo do caso.

Os que estão ali dentro – suponho – estão com medo de perder promoção, as oportunidades de crescer na instituição, por isso estão tensos, mas se esforçam para não transparecer, pois precisam vender produtos do banco, atingir metas e gerar mais lucros para aqueles que já têm muito.

Agora me lembrei da lei da atração. Diz ela que os pensamentos e sentimentos atraem os que vibram na mesma frequên-cia, talvez por isso têm aumentado os assaltos nas saidinhas dos bancos.
Voltando à minha ida ao banco. Fui resgatar um cheque de paciente devolvido por ter colocado 2010, quando já era 2011. Eles não sabem, mas é comum, depois de um ano colocando a mesma data, nos habituarmos e repeti-la por um tempo. Como tinha ido fazer um depósito, só entrei com meu cartão do banco, e fui até o atendente. Ele me disse: “Você tem um documento com foto?”. Eu disse: “Volto outro dia”. O que quero demonstrar ao relatar este fato, fazendo ligação com o primeiro. Estamos perdendo nossos vínculos pessoais, sendo apenas mais um cliente, paciente, pois a rotatividade de algumas instituições e esse andar apressado da vida estão afastando o afeto para dar lugar às necessidades.

Em uma olhada de 180 graus no banco, não avistei um funcionário conhecido. Com raras exceções, os mais antigos (velhos) foram aposentados, demitidos, descartados, pois poderiam lentificar os procedimentos, atendendo mais humanamente, acolhendo os clientes como conhecidos, por vezes nem pedindo documentos, pois a pessoa ali presente já era a confirmação da sua própria identidade.

Com a banalização dos vínculos, temos que provar que somos nós mesmos, daí desenvolvermos medos, medo de estar só, medo do desamparo, medo da solidão.

A modernidade tem trazido muitos benefícios, mas também empobrecido as relações pessoais, abrindo porta à depressão e a outras doenças físicas e emocionais.

Na medida do possível, precisamos fortificar os bons laços afetivos, como medida preventiva da solidão.

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