Mente Sadia: Educação Responsável
Abril 30, 2011 Nenhum comentário
Com a modernidade, muitas coisas têm mudado, inclusive a consciência dos nossos atos. Criar filhos já não é mais tê-los e dar o que comer até que virem gente; criar filhos é ter responsabilidade de educá-los com responsabilidade, evitando danos físicos e psicológicos, na tentativa de construir um mundo melhor.
Antigamente, – e em algumas regiões ainda é – pais tinham nos filhos a mão-de-obra familiar para ajudar na lavoura, criação de animais, cuidados com os filhos menores. Daí ter uma porção de filhos estar mais para um negócio do que o interesse na formação de pessoas. Não só pela dificuldade em nutrir uma família numerosa, mas também pela responsabilidade em educar, pais mais urbanos e conscientes estão cada vez mais tendo menos filhos, diminuindo a natalidade, principalmente nos grandes centros. Um controle de natalidade natural, por aqueles que ve-em filhos como filhos, e não como mão-de-obra barata.
Contudo, com mais conhecimento, surgem também os conflitos. Será que estou fazendo o certo? Dia desses, uma mãe de um garoto de 8 anos me consulta sobre o que fazer com o filho, que está tendo dificuldades em aprender a ler e escrever. Separada do marido há anos, sem respaldo na educação do filho, tem tido dificuldades na condução desta questão. Diz ela que já procurou uma profissional, que, após estar com o garoto duas vezes, deu o “diagnóstico” de que ele não aprende como forma de ter mais atenção da mãe, uma forma de chantagem para tê-la por perto e que no momento não precisaria de acompanhamento profissional, para deixar para procurar ajuda quando ele tiver uns 15 anos, aí vai ter mais condições de entender.
Entender o quê? A “profissional” orientou a mãe a ser menos feminina, procurando ter atitudes mais masculinas para compensar o filho da ausência do pai. Levá-lo ao campo de futebol, aos jogos de basquete, andar de bicicleta… Bem, tem o que a profissional disse e o que a mãe ouviu, porém me pareceu ter equívocos aí! Primeiro, a mãe não deve se travestir de homem para parecer ser o que ela não é, confundindo ainda mais o garoto, que poderia sim se beneficiar de uma figura paterna mais presente. Um tio, avô, amigo da mãe poderiam fazer esse papel, não a mãe sair do papel dela (mãe) para ser pai. Ele não tem pai, não tem, vai ter que lidar com isso e ponto.
O mais grave: deixar o garoto ter uns 15 anos para procurar ajuda! Não, está errado! É agora, enquanto a mãe tem autoridade sobre ele, podendo levá-lo, impondo a necessidade de uma ajuda externa. Quando ele tiver 15 anos, estará buscando autonomia, independência, com argumentos e a força de um adolescente que, se não quiser ajuda, nada vai obrigá-lo. Tem mais: os danos que o tempo, por si só, não será capaz de sanar, ao contrário, poderá aumentar o grau de problemas já existentes, e as coisas saírem do controle.
O momento é agora: procurar ajuda para o garoto, que pelo jeito a dificuldade escolar é só o indício de algo maior. E orientação adequada à esta mãe, que também precisa de orientação e acompanhamento afetivo nesta fase de “estar meio perdida”. Nada de receitinha de como fazer, é preciso uma ajuda mais de perto, acompanhando filho e mãe nesta empreitada.
Educar não é fácil, mas, mais difícil, é deixar por conta do tempo o que está em nossas mãos. E depois, vamos cobrar de quem?
