Limeirense recordista no Sul-americano quer estar na Olimpíada do Rio em 2016

Abril 9, 2011 1 comentário

Este ano começou não faz muito tempo, mas a cabeça de Natália de Lucca está bem longe, mais precisamente em 2016. Não por acaso, será o ano da Olimpíada no Rio de Janeiro. E ela, nadadora do Gran São João, sonha em estar lá. Não como espectadora, mas, se possível, como protagonista de provas como os 50 e os 100 metros livre ou os 100 metros borboleta, suas especialidades.

Esse não é um daqueles desejos de criança, que prometem que, quando crescer, serão astronautas ou astros de cinema. É, sim, a expectativa de uma jovem, de 14 anos, calcada em resultados recém-conquistados.

Natália desembarcou há pouco, vinda do Peru, onde disputou o Campeonato Sul-americano de sua categoria, com cinco medalhas de ouro e dois recordes na bagagem. Um deles, o dos 100 metros livre, que perdurava desde 1999, era da lendária Rebeca Gusmão, uma das maiores nadadores brasileiras de todos os tempos. O outro, nos 100 metros borboleta, era ainda mais antigo – ninguém o quebrava desde 1993.

O terceiro ouro veio na prova dos 50 metros livre, na qual ela ficou a apenas 19 centésimos do recorde. Os outros dois foram conquistados em revezamentos. “Eu esperava nadar bem, mas não tanto”, analisa com humildade a atleta, sobre sua participação na competição continental.

Superação

Para alcançar os recordes, essa limeirense, filha de um gerente de vendas e de uma dona de casa, e gêmea do também nadador Caio, outro que treina forte com o técnico Rossano Chanquetti no Gran, teve que se superar. Nos 100 metros borboleta, precisou baixar seu melhor tempo até então em 10 centésimos. Conseguiu fechar a prova em 1 minuto, três segundos e 44 centésimos.

Nos 100 metros livre, nunca havia nadado abaixo dos 58 segundos e 32 centésimos. Pois no Peru deu a batida final 20 centésimos mais rápido que isso.
“Realmente consegui baixar bastante meus tempos”, constata Natália, que credita sua performance aos treinos pesados e à “empolgação por estar representando o Brasil”.

Seleção

A oportunidade de compor a equipe nacional veio após colocar seus tempos entre os melhores do Estado de São Paulo em 2010.
“Fiquei sabendo da convocação pelo meu pai, em janeiro”, conta. “Meus pais me apoiam muito”. Na verdade, mais que apoiar, eles praticam o “paitrocínio”. São eles que bancam, por exemplo, os macacões que Natália usa. Cada um deles sai por R$ 1.200,00, e não dura mais que um semestre.

Mas a família, diante dos resultados da nova candidata à celebridade esportiva, sabe que o sacrifício está valendo a pena. Afinal, Natália não tem poupado esforços para se sobressair no esporte que abraçou logo aos 3 anos de idade. Foi assim novinha que deu suas primeiras braçadas. As aulas de natação tão precoces foram uma medida tomada pela mãe, Ivânia, receosa de que suas crianças se afogassem. “Era um trauma dela”, revela a atleta.

Salto

Depois de quatro anos numa academia, em 2002 Natália passou a treinar no Gran. A mudança se deu para que ela pudesse começar a competir. Mostrando jeito para as provas de velocidade, sempre preferiu os estilos crawl e borboleta. Aos poucos, buscou seu lugar na equipe de ponta do técnico Ros-sano. Mas foi em 2010 que ela realmente despontou. “Em 2009, eu queria ser campeã brasileira, mas não treinei o suficiente e não fui tão bem”, explica. Foi aí que, como ela própria admite, passou a ouvir com mais atenção as recomendações do treinador.

Nova fase

“Fui em busca dos resultados, passei a treinar com mais vontade e dedicação”, diz. Sua determinação gerou frutos. No ano passado, os pódios passaram a ser rotina em sua vida. Começou mostrando serviço em competições tradicionais, como a Chico Piscina, em que ficou com a medalha de ouro nos 50 e nos 100 metros livre, além da de bronze nos 100 metros borboleta, na sua categoria de então, a infantil. No Kim Mol-lo, bateu recorde nos 50 e nos 100 metros borboleta e nos 100 metros livre.

No Campeonato Paulista, também fulminou as marcas dessas provas e ainda a dos 200 metros livre.
E, enfim, realizou o sonho de se sagrar campeã nacional. Três vezes. Foi primeira colocada nos 50 e nos 100 metros livre e nos 100 metros borboleta, nesta, ainda quebrando o recorde. Para se manter nesse nível, Natália treina muito. De segunda a sexta, passa três horas diárias de suas tardes dentro da piscina. Às terças e quintas, ela “dobra”, como conta, usando o jargão dos atletas. Ou seja, nada também à noite, mais uma hora e meia por dia. Ainda no período noturno, quando não está na piscina, enfurna-se na academia para fazer musculação. Aos sábados, mais uma hora e meia de braçadas. A cada mergulho, percorre cerca de sete quilômetros.

Vida social?

Claro que tanta dedicação ao esporte rouba-lhe tempo de outras atividades. Aluna do 9º ano do Ensino Fundamental do colégio Einstein, tem que deixar lições de casa e o estudo para as provas para os domingos. Vida social? Quase nada. “Vale a pena, gosto muito do que faço”, apressa-se em garantir. “Meus amigos também sabem que é disso que gosto e respeitam”. Sendo assim, acaba sendo mais fácil estreitar os laços com quem ela divide a sua paixão pelas piscinas.

“Tenho uma segunda família na natação”, afirma Natália. “Passo mais tempo com o Rossano do que com meu pai”. Claro que uma nadadora tão compenetrada vai em busca de muito mais conquistas. Nem que, para isso, precise encontrar novas “famílias” em outros clubes, onde possa ir ainda mais longe.

Os convites já começaram a aparecer. “Neste ano, continuo em Limeira”, declara, com convicção. “Mas na natação a estrutura oferecida pelo clube pesa e em 2012 não sei o que vai acontecer”.
Sendo assim, Natália ainda representará o Gran e a cidade no torneio Maria Lenk, uma competição da categoria absoluta, que reunirá várias estrelas das piscinas, em maio, no Rio de Janeiro. Servirá para dar mais experiência à jovem limeiren-se. Já em junho descerá em Fortaleza para disputar o Brasileiro juvenil com sede de ouro. E, se possível, temperado com recordes.

Será um passo decisivo em sua escalada rumo aos primeiros Jogos Olímpicos realizados em terras brasileiras, daqui a cinco anos.

Por Marcos Paulino

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1 comentário para “Limeirense recordista no Sul-americano quer estar na Olimpíada do Rio em 2016”
  1. adriano de luccas diz:

    gostaria de agradecer a brilhante reportagem , realizada pelo marcos paulino, muito feliz em seus cometarios.

    agradecemos o apoio , na divulgacao das conquistas da atleta , e esperamos em breve mais resultados positivos , nos proximos campeonatos ( rio de janeiro – fortaleza = são paulo )

    muito grato

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