Francamente: Chope, gasolina, manicures…
Abril 22, 2011 Nenhum comentário
Sou muito mais desligado do que deveria das questões financeiras. Leio três jornais por dia, mas ignoro solenemente o caderno de economia de todos eles. No máximo, deu uma olhadela nas chamadas das capas, só para não me sentir um total ignorante no assunto. Em casa, concordo alegremente que minha mulher administre contas bancárias, cartões de crédito e todo o resto que diz respeito ao vil metal.
Podem me chamar de alienado, que eu não ligo. Isso não me faz, de modo algum, no entanto, um mão aberta. Talvez até fosse, se tivesse o tanto de dinheiro necessário para isso. Não é, porém, nem de longe, o caso. Assim, preocupo-me se a conta de um almoço num restaurante – tão raro – custa mais do que gostaria de pagar.
Se os valores são justos, tudo bem. Como canta Fábio Júnior, “na vida tudo tem seu preço, seu valor”. Vai-se onde se pode, pede-se o que é possível pagar e se toca o barco ao sabor das ondas monetárias. O duro é quando se paga um preço que, de jeito nenhum, parece valer a pena.
Noite dessas, a pretexto de comemorar mais um aniversário de casamento, sentamos num bar/restaurante. A porção que pedimos estava muito boa e o preço era adequado. Agora, quando se paga mais de R$ 5,00 por um copo de chope pouco maior que um daqueles tipo americano, é porque algo não está certo.
É o ganho abusivo que me incomoda. Li que alguns postos vinham aumentando o preço da gasolina, que passou a ser mais procurada por causa da supervalo-rização do álcool. O etanol depende das safras, da estratégia de venda dos usi-neiros, que têm canalizado a produção para o açúcar. Mas o que a gasolina tem a ver com isso?
Também fiquei indignado com os flanelinhas e ta-xistas de São Paulo durante os shows do U2 na cidade. Os caras estavam cobrando R$ 40,00, R$ 50,00, até R$ 100,00 para “olhar” os carros. Ah, vá catar coqui-nho! E, lógico, tem que pagar adiantado, “que na saída é aquele tumulto, certo patrão?”. Certo o escambau.
Quem não quis ir de carro justamente para evitar esse achaque, teve que se confrontar com outro, dos taxistas. Quase todos cobrando por “tarifa fechada”. Ou seja, deixa-se o taxímetro de lado e se cobra quanto quer. Dependendo do destino, o valor chegava a R$ 300,00. Houve quem pedisse R$ 50,00 por pessoa. Teve um taxista que chamou os colegas de “bandidos”. Deveria ser homenageado com uma estátua.
Aí, numa conversa despretensiosa, minha mulher me conta quanto a ala feminina de casa, incluindo aí minha filha, gasta com manicures, depilações, cabeleireiros e afins. Quase caí du-ro. Mas disfarcei. Afinal, como já disse, quem manda nas contas no nosso lar, doce lar, é a patroa.
