Eduardo Costa lança seu segundo DVD
Abril 16, 2011 Nenhum comentário
Pergunte por Edson Vander da Costa Batista e pouca gente saberá de quem se trata. Agora, toque no nome de Eduardo Costa e teste a popularidade desse mineiro, nascido em Belo Horizonte em 1979, que já vendeu mais de dois milhões de cópias de seus oito CDs.
Quem gosta de sertanejo saberá prontamente de quem se trata. Afinal, ele tem sido uma das grandes estrelas desse segmento nos últimos anos, lotando shows e conseguindo marcas impressionantes de venda de discos mesmo nesta época de pirataria e downloads gratuitos.
Edson Vander virou Eduardo quando foi convidado a entrar numa dupla sertaneja em sua cidade natal, em 1997. O tal Eduardo havia desistido de cantar ao lado de Cristiano, que chamou Edson para substituí-lo, mas pediu ao no-vo parceiro que mantivesse o nome do antecessor. Ele topou e, anos depois, em carreira solo, decidiu mantê-lo, acrescentando o Costa de seu sobrenome. Foi como Eduardo Costa que, em 2000, lançou um CD independente que faria sucesso entre os seguidores do então nascente sertanejo universitário.
Desde então, foi fazendo um disco por ano e se tornando cada vez mais conhecido. Em 2007, contratado pela Universal, vendeu 500 mil cópias do CD “Me Apaixonei”. No ano seguinte, lançou “Cada Dia Eu Te Quero Ma-is”, um sucesso nas rádios. Agora na Sony Music, está apresentando “De Pele, Alma e Coração”, CD e DVD originados de um show gravado em São Paulo. Sobre ele, Eduardo Costa conversou com o PLUG.
Como você escolheu as músicas que entrariam neste trabalho?
Gravei muitos sucessos em oito discos. No primeiro DVD, eu tinha cinco discos, e fiz uma releitura dos principais sucessos deles. O DVD estourou, foi um fenômeno de vendas. Depois gravei mais dois discos e ambos estouraram. Coloquei neste segundo DVD os principais sucessos destes dois discos, além das regravações de músicas bem antigas e mais oito inéditas. Gravamos ao vivo no Cre-dicard Hall. O grande sucesso do DVD não é o cenário ou o artista, é o público, que tem que saber cantar. Por isso não dá pra fazer um DVD só de inéditas. Então optei por mesclar.
Você despontou quando ainda fazia uma carreira independente. Como foi esse início?
Gravei um primeiro CD só com violão, bem acústico. Foi isso que abriu as portas pra gravar um CD oficial mesmo. Nessa época, não fiquei conhecido do grande público, mas fazia muito sucesso no interior do Brasil. O meu grande pulo, quando entrei nas capitais, foi quando gravei meu primeiro DVD ao vivo em Belo Horizonte. Aí consegui chegar aos grandes centros.
Você apareceu numa época em que o sertanejo universitário começava a fazer sucesso. Foi isso que deu o impulso na sua carreira?
Sou da época do sertanejo universitário, mas não gosto de rotular música. Não quero dar a impressão de que quem não é universitário não pode gostar da minha música. Gosto de sertanejo tradicional e procuro fazer uma mescla com o universitário. Não quero ser muito antigo nem ficar moderno demais. Minha meta é alcançar os dois públicos. Mas a música universitária é muito bacana, porque fez chegar o sertanejo à moçadinha mais nova.
Neste novo trabalho, você passeou também por outros ritmos. Tem até a participação do Belo.
Exatamente. A música de trabalho, “Quem É”, é estilo samba, que você só sabe que é sertanejo porque é o Eduardo Costa quem está cantando. Não queria gravar um disco tudo igualzinho. Resolvi buscar novos arranjadores, coisas novas. O Belo é um artista popular, é o Eduardo Costa do pagode. Tive a participação da Paula Fernandes, uma cantora supertalentosa, que tem essa coisa mais chique, alcança um público classe A. E pra dar cara de sertanejo ao DVD, chamei Alex e Conrado, uma dupla maravilhosa do interior de São Paulo.
Você tem um esquema de produção de discos quase industrial, lançando um por ano. Como funciona essa máquina?
A música sertaneja cobra isso. Com esse negócio de internet, tem que tomar cuidado porque as coisas envelhecem muito rápido. Se uso uma roupa num show em Minas Gerais, amanhã todo mundo viu essa roupa. Então gosto de lançar um disco por ano pro meu trabalho não envelhecer. Estou sempre colocando a música na vida das pessoas. Já o DVD não dá pra gravar todo ano, porque pra mim ele é uma releitura de outros trabalhos.
Pra manter esse esquema você depende de uma equipe muito grande?
Na verdade, não. Quando acaba um trabalho, já começo a me preocupar com outro. Já vou compondo, montando o repertório. Na hora de gravar o CD, já tenho tudo bem encaminhado, já escolhi quem vai tocar no disco, os maestros, os arranjadores. É um trabalho tranquilo, não pode ter pressa pra gravar.
O seu primeiro CD teve uma “ajuda” de piratas pra ser distribuído e tornar seu trabalho conhecido. E hoje, como você encara a pirataria?
A pirataria traz um prejuízo enorme pro país, não só pro artista. Eu tenho a oportunidade de fazer shows, e não depender só da venda de CD e DVD pra viver. Mas a pirataria causa desemprego entre os músicos. Num CD, tocam mais de 50 músicos, em cada música mudam os guitarristas, os bateristas, os maestros. Tem também os divul-gadores, os compositores, então tira o emprego de muita gente. O prejuízo é pra todos os envolvidos no trabalho. A pirataria deveria ser mais monitorada. As gravadoras investem muito numa superprodução e depois esse trabalho é vendido por R$ 3,00, R$ 4,00, um absurdo.
E a internet, ajuda a divulgar ou dá prejuízo por causa dos downloads gratuitos?
Ajuda por um lado e atrapalha por outro. Se ajuda a música a chegar à vida das pessoas, causa o mesmo problema da pirataria. Deveriam monitorar melhor a internet também.
Mesmo assim, você já vendeu mais de dois milhões de discos.
Mas poderia ter vendido mais ainda. O DVD que estou lançando agora, se não fosse a pirataria, com certeza venderia um milhão de cópias.
Nessa sua “indústria” de discos, qual o próximo passo?
Já estou preocupado com o que vou fazer. Claro que vou demorar um pou-quinho pra poder lançar um novo trabalho. Mas já estou começando a escolher o repertório para o próximo CD.
O show novo terá a mesma estrutura que aquele gravado para o DVD?
O cenário do DVD é o mesmo dos shows. Quem for ver ao vivo, verá o show do DVD.
Por Marcos Paulino
