Bullying – entenda o que é e saiba como combatê-lo

Abril 22, 2011 Nenhum comentário

O que faz um rapaz de 23 anos entrar numa escola armado e atirar em crianças indefesas? Foi essa pergunta que o Brasil inteiro se fez após a recente tragédia em Realengo, no Rio de Janeiro, quando Wellington Menezes de Oliveira matou 12 alunos e deixou vários outros feridos, até ser alvejado por um policial militar e se suicidar em seguida.

Depois do massacre, soube-se que o assassino tinha estudado justamente naquela escola, onde havia sido vítima de bullying, termo em inglês para denominar atos de humilhação e agressão a que crianças e jovens são submetidos por seus colegas.

Segundo a psicoterapeuta Sâmara Jorge, especializada em adolescentes, podem ser chamadas de bullying todas as atitudes agressivas e repetidas entre crianças e jovens, incluídos os estudantes. “Inclui-se no termo qualquer atitude exercida por um estudante para humilhar, fazer sofrer ou intimidar o outro: apelidos, perseguições discriminações, chacotas, exclusões, preconceitos e até as agressões físicas, sexuais e morais”, explica.

Entretanto, de acordo com Sâmara, é importante discriminar um momento de agressividade ou uma briga do bullying. “Só podemos entender como bullying atos agressivos frequentes e repetidos com o mesmo alvo”, detalha. “Muitas vezes, as crianças passam por fases em que estão mais briguentas, mais intolerantes ou agressivas. Essas atitudes podem ser a manifestação de algum problema circunstancial, de alguma dificuldade em lidar com uma situação qualquer em sua vida. É preciso que pais e professores fiquem atentos para que possam fazer essa diferenciação”.

A psicoterapeuta diz que crianças vítimas de bullying, em geral, possuem características diferentes do agressor e se sentem fragilizadas com essa condição. Podem ser crianças com problemas de insegurança, que já sofrem violência em suas casas, com baixa autoestima, obesidade, timidez, deficiências físicas, diferenças étnicas, culturais, econômicas. “Elas acabam intimidadas pela diferença, sobretudo de poder, que sentem em relação ao agressor”, ensina. “Por se sentirem frágeis, sem recursos e com medo para dar um basta, acabam por se submeter, inclusive por sentirem vergonha de suas ‘fraquezas’ e ‘fragilidades’”. E alerta: “Em alguns casos, felizmente raros e extremos, podem chegar a tentar ou cometer suicídio”.

Já as que praticam o bullying, analisa Sâmara, são crianças agressivas, às vezes dissimuladas, que podem ter relações familiares desestruturadas afetivamente.
“Não é raro que possuam pouca atenção, carinho e cuidados, recebendo poucos limites, ou ainda, que sejam vítimas de agressões físicas e verbais por parte de seus pais”, afirma.

Pais devem saber ouvir

Se suspeitar que o filho está sendo vítima de bullying, diz a psicoterapeuta Sâmara Jorge, o primeiro passo para os pais é ter uma conversa com ele sobre o assunto. “É importante que os pais tenham disponibilidade, paciência e ouçam o filho com uma atitude carinhosa e acolhedora”, avisa. “Prepare-se, pois pode ser que por medo, culpa ou vergonha, ele não queira falar ou negue o que está acontecendo”.

Os pais devem procurar mostrar que a criança não tem culpa, mas, ao mesmo tempo, precisam esclarecer se alguma atitude dela pode ter provocado a agressividade do colega. “Jamais a recrimine por não ter conseguido lidar com a situação”, alerta Sâmara. “Incentive-a a contar o que está acontecendo, fazendo com que confie que estará a seu lado e que a ajudará. Em hipótese nenhuma aceite manter o bullying em segredo. Ajude-o a compreender que a única forma de resolver a situação é tornando-a clara, pois todos precisam de ajuda: ele e o agressor”.

A psicoterapeuta diz também que é importante não incentivar a criança a revidar as agressões e não pedir que tenha qualquer atitude que não esteja pronta para tomar. “Elogie sua coragem em ter falado sobre a situação com você. Deixe claro que entrará em contato com a escola para contar o ocorrido, para que, juntos, possam tomar providências. Faça isso rapidamente e, mesmo que não pareça tão grave, não entenda essa situação como brincadeira entre crianças, pois não é”.

Caso a suspeita seja a de que seu filho está praticando bullying, os pais também devem conversar com ele. Deve-se evitar ser agressivo com a criança, para mostrar um modelo saudável de como lidar com conflitos e problemas. “Deixe claro que desaprova completamente sua atitude, mas não ponha em dúvida o amor que sente por ela”, diz Sâmara. “Não esqueça que há uma parcela de responsabilidade da família nas atitudes de nossos filhos. Diga que irá ajudá-la, mas que, para isso, terá que conversar com a escola sobre o que está acontecendo, para que, juntos, encontrem uma solução para o problema”. A ajuda de profissionais, como psicólogos, não deve ser descartada.

Algumas maneiras de enfrentar o problema

Pais e escolas devem conversar com as crianças sobre o assunto, sobre a importância de se respeitar diferenças, de lidar com preconceitos
Os pais devem se interessar e participar da vida e das atividades de seus filhos
Os pais também devem conversar com eles constantemente
Abrir um canal de comunicação afetivo e seguro entre pais e filhos
As escolas devem promover a participação dos alunos em discussões sobre regras de comportamento, projetos de inclusão de diferenças ou que desenvolvam solidariedade e trabalhem conceitos de ética, cidadania e responsabilidade social

Vítimas

Não querer ir à escola
Ter baixo rendimento escolar
Ter medo de fazer o trajeto da escola sozinha
Sentir-se mal na hora de ir para a aula
Chegar em casa machucada, sem dinheiro e com materiais estragados

Agressores

Comportamento agressivo, provocativo
Não se responsabilizar por seus atos
Apresentar dificuldade em se relacionar com outras crianças, em geral intimidando-as

Por Marcos Paulino

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