Replace: Unidos pelo acaso

Março 12, 2011 Nenhum comentário

Durante quase um mês, os cinco caras que formam a banda paulistana Replace praticamente moraram num estúdio, gravando o recém-lançado CD “Até Aqui”. O confinamento foi imposto pelo produtor Rick Bonadio, que fechara contrato com o quinteto pouco antes, mas achava que a comemoração pela nova fase estava se estendendo demais. E nada do disco sair. Mas esse quase “Big Brother” se mostrou bastante produtivo.

Nesse período, Koala (baixo), Beto (vocal), Peu (guitarra), Vine (guitarra) e Caio (bateria) compuseram duas dezenas de músicas. Aí foi só escolher as 13 que entrariam no CD e gravar.
Contar com toda essa estrutura é novidade para o Replace, que já teve um disco lançado em 2008, com repercussão limitada à inter-net. Porém, suficiente para, com muita ajuda dos fãs internautas, levar a banda pa-ra a rádio, e daí à TV. Chegar neste ponto da carreira era um sonho para Beto e Caio, nascidos na Capital, Koala, da pequena cidade mineira de Cambuí, Peu, um baiano criado em São Paulo, e Vine, de São José dos Campos.

Cinco garotos que se conheceram meio por acaso e agora tentam ir além. O PLUG bateu um papo com o batera Caio.

Como vocês se encontraram e resolveram formar uma banda?
Foi tudo muito por acaso. Comecei com outros dois guitarristas, que resolveram sair quando a coisa foi ficando séria. O Beto apareceu num aniversário meu, comendo bolo, de bico. (Risos) Um tempo depois, inventamos de fazer um teste pra vocalistas e por coincidência ele foi o único que apareceu. O Koala conheci numa viagem e os outros brotaram no nosso caminho. (Risos) Foi o destino mesmo.

Então vocês não têm aquele lance de um grupo de amigos que se conheceram na escola etc. e tal?
É, todo mundo já tinha uns 18 anos e um acabou aparecendo no caminho do outro. Mas hoje a gente não fica um dia sem se ver, virou uma família mesmo.

Vocês lançaram um CD em 2008 que não rolou. Faltava estrutura?
A gente fez o “Vida de Papel” justamente quando entraram o Vine e o Peu. A gente não tinha dinheiro pra lançar o CD, mas tinha um público forte na internet e resolvemos fazer uma pré-venda pra ver se os fãs ajudavam a gente. Cada um depositava R$ 10,00, com a promessa de que em até seis meses receberia o CD. Conseguimos juntar R$ 3.000,00, que deram pra gravar e prensar mil cópias. Foi mais pra ter um CD mesmo, porque a gente não tinha distribuição. Mas na internet rolou bem, a galera aceitou as músicas, fomos crescendo como banda e começamos a aparecer.

Como vocês foram descobertos pelo Rick Bonadio?
A 89, uma rádio de São Paulo, tinha uma promoção pra participar da Semana dos Artistas, na qual iam várias bandas consagradas pra fazer tarde de autógrafos. A gente se inscreveu e ficou meses pedindo voto pra galera. Quando fomos, a rádio lotou, e por sorte uma banda do Rick estava lá. Aí um parceiro dele nos indicou. Fomos fazendo outras rádios e chegamos à MTV. Então o Rick nos ligou querendo nos conhecer.

Aí parece que vocês queriam mais comemorar que gravar um CD. Como foi a história de terem que ficar três semanas trancados num estúdio?
(Risos) Foi quase isso mesmo. Depois que fechamos com o Rick, passamos uns dias comemorando. E a composição do CD, que estávamos preparando sem saber se teríamos uma gravadora ou não, foi ficando atrasada. Até um dia em que o Rick nos chamou e disse que queria o CD pronto em um mês. Não tivemos escolha. A gente se internou num estúdio, passava os dias lá, dormia lá, comia lá. Foi um mês acordando às 8 horas e dormindo às 3 da madrugada. Nessa brincadeira, fizemos 20 músicas inéditas. Escolhemos 13 pra gravar o CD.

Vocês estão aparecendo numa época em que há várias bandas fazendo sons parecidos umas com as outras. Como vocês se encaixam nesse cenário?
A maioria das bandas dessa nova geração veio da mesma cena, aqui de São Paulo. Todas tocavam na mesma noite, na mesma pizzaria, e assim foram ganhando público. As influências eram muito parecidas. Mas acho que agora cada uma está indo para um caminho. O Repla-ce, por exemplo, neste CD, ousou bastante pra procurar um som próprio. Tem u-ma música com uma pegada mais eletrônica, outra completamente hardcore, outra com muito coro, outra misturando hip hop. Se você ouvir com carinho, vai ver que nosso som é diferente. Acho que é normal pra quem está conhecendo agora achar tudo parecido, até por ser uma geração nova. Mas o rock está sempre mudando e sempre aparece uma galera fazendo de outro jeito.

Cada um dos integrantes da banda tem seus gostos, suas influências. Vocês misturam isso tudo na hora de compor?
Completamente. Até pelas experiências de vida de cada um, que são totalmente diferentes. O Koala, por exemplo, nunca teve muita grana, porque saiu de casa muito cedo e sempre teve que correr atrás das coisas deles. Então ele se identifica muito com o hip hop. O Vine teve uma condição financeira melhor, sempre estudou muita música e curte um som pesadíssimo. Eu sempre ouvi mais hardcore, o Beto ouve desde pagode a Charlie Brown Jr.

Vocês devem odiar quando ele põe um CD dele…
(Risos) A gente aprendeu a gostar. Às vezes, ele nos leva pra algum rolê dele e a gente se diverte, tem um monte de mulher bonita. A gente tem uma cabeça muito aberta pra mistura.

É difícil conseguir um espaço no meio de tantas bandas. Como vocês têm sentido a receptividade?
Agora que estamos aparecendo mais, dando entrevistas. E tem muita gente que está de olho. Estamos começando a receber críticas, o que nunca tivemos até então. A gente tocava pra meia dúzia de pessoas e podia falar pra elas não julgarem pela aparência, pra ouvirem o som, e às vezes ganhávamos um fã. Agora a coisa está bem diferente, é tudo novidade. Mas o show está sendo muito bem aceito, a receptividade na internet está boa, mesmo a gente tendo ousado no som.

Com essa maior aparição na mídia, o dia a dia de vocês mudou?
Acho engraçado que às vezes vou ao supermercado e a menina do caixa sabe quem eu sou. Não diria que é um assédio, mas às vezes a gente está andando na rua, alguém para e fico até sem graça. Na padaria, acontece de alguém ficar te olhando. Mas nada num nível chato, está divertido.

Quais são os próximos passos da banda?
O próximo é o clipe da música “Nosso Tempo”, que já estamos preparando. Também estamos filmando tudo o que acontece com a banda, os bastidores, os shows, as entrevistas, pra fazer um DVD bem legal.

Por Marcos Paulino

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