Não se dê mal na Folia

Março 5, 2011 Nenhum comentário

Acompanhar o trio elétrico requer proteção especial para os ouvidos

Estamos em pleno Carnaval, época em que tudo é permitido, certo? Em termos. Todo mundo que gosta de uma boa folia quer se esbaldar nestes quatro dias, mas é preciso tomar alguns cuidados com o corpo para que a alegria não se transforme em problema. O PLUG selecionou algumas dicas que vão garantir que o seu Carnaval não traga con-sequências desagradáveis no futuro. É ficar de olho nelas e mandar ver na curtição.

Alimentação

Uma alimentação saudável e a hidratação do corpo são indispensáveis para não fraquejar durante a folia. Isso porque a festa acontece em uma das épocas mais quentes do ano e exige muita resistência dos foliões. Segundo a nutricionista Érika Fer-reira de Sousa, professora do curso de Nutrição da Veris IBTA Metro-camp, de Campinas, é fundamental beber bastante água, água de coco ou suco de frutas. É melhor evitar os refrigerantes e as bebidas isotônicas.
A especialista também recomenda lanchinhos entre as refeições. O ideal é comer frutas, que são ricas em vitaminas e minerais, ou barrinhas de cereais. Nas principais refeições, lembrar sempre de comer carboidratos, encontrado em alimentos como pão, arroz, macarrão e batata, que garantem energia. É recomendável evitar carnes e lanches muito gordurosos. Bebidas alcoólicas devem ser intercaladas com água, já que elas desidratam o corpo.

É preciso ter cuidados com os energéticos, bebidas com alto teor de cafeína que podem causar sérios problemas se ingeridas em grandes quantidades. Nos Estados Unidos, vários adolescentes têm dado entrada em hospitais com ataque cardíaco devido ao uso excessivo dessa bebida. Aqui no Brasil, pode ser ainda pior, pois os jovens misturam o líquido com bebidas alcoólicas.

Sexo

O uso de preservativo não pode ser esquecido durante as relações sexuais. Ele é importante não só para evitar a gravidez, como muitos acreditam, mas também para prevenir doenças sexualmente trans-missíveis, como o HPV e a Aids. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o HPV é um dos principais precursores de câncer de colo do útero, o segundo tipo de câncer que mais mata as mulheres no Brasil. Também segundo o INCA, aproximadamente 80% da população feminina mundial será infectada pelo menos uma vez na vida pelo HPV.

“Nas mulheres, o HPV pode não apresentar nenhum sintoma inicial ou provocar corrimento vaginal, sintoma comum em diversas doenças. Em alguns casos, aparecem verrugas, que devem ser examinadas o mais rápido possível e tratadas, pois podem promover lesões pré-cancerosas ou câncer de colo do útero”, explica o oncologista Fernando Moura, coordenador do Centro de Oncologia viValle.

Os tratamentos variam de acordo com cada caso, e vão desde cauterização com ácido ou laser até cirurgias. “Vale lembrar que os homens também podem ser contaminados e transmitir o HPV. E a infecção nos homens também pode provocar câncer no pênis”, ressalta Fernando. Toda mulher deve fazer exames de rotina uma vez ao ano, principalmente após o início da vida sexual. Segundo o especialista, “só o acompanhamento médico pode detectar as lesões no colo do útero e que podem ser causadas pelo HPV”.

Corpo

O sedentarismo aliado à falta de preparo físico pode deixar o “atleta de Carnaval” com sérios traumas musculares e na coluna. O ideal é progredir lentamente na intensidade e na modalidade dos exercícios, começando por atividades de baixo impacto, respeitando os limites físicos do corpo. O folião pode se inspirar no clima de descontração e acabar perdendo a atenção aos sinais e limitação do próprio corpo.

Sem ter uma preparação adequada, pode ser que a pessoa até tenha capacidade cardiorrespiratória para desfilar em uma ou mais escolas de samba, ou ainda nos dias de folga correr por uma hora na praia, porém o resto do corpo não está pronto para esse tipo de esforço. Para quem for desfilar com fantasias pesadas, é importante saber que a coluna deve estar preparada em relação ao tempo e ao peso que irá sustentar em suas costas. Dependendo da posição e da fantasia que for usada, a coluna pode sofrer e ter problemas futuros, por isso a importância da prevenção e preparação dela para a sobrecarga.

Os músculos são exigidos em um nível que causa danos, minirrupturas de fibras, pequenos derrames sanguíneos e acúmulo de produtos nocivos. Resultado: fadiga muscular, câimbras, demora para recuperação e, não raramente, lesões mais sérias. Uma dica importante é aquecer a musculatura antes de iniciar a atividade. Esportes que realizam a rotação da coluna como seu principal gesto esportivo, como o tênis e o frescobol, por exemplo, devem ter atenção especial. Uma torção de tronco ou de pescoço muitas vezes gera desconfortos por semanas. 

Audição

No Carnaval, o som dos trios elétricos, que ultrapassa 120 decibéis, pode levar à surdez, alertam os especialistas. Mais de sete minutos por dia de exposição a este ruído pode causar danos irreversíveis à audição, avisa a fonoau-dióloga Sandra Braga, da empresa de aparelhos auditivos Audibel, lembrando que o ouvido humano suporta normalmente até 85 decibéis. O som potente que sai das caixas de som dos trios elétricos pode ter a mesma intensidade de um avião decolando.

Tomar cuidado é importante para evitar que mais casos de perdas auditivas, zumbidos e surdez aumentem nesta época do ano, como já é comum, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otor-rinolaringologia (SBOL). A exposição a ruído é uma das causas mais comuns de deficiência auditiva. Uma lesão por ruído pode acontecer após um som de breve duração, porém intenso, como uma explosão, ou devido à exposição regular a ruídos por longo do tempo.
Geralmente, são afetadas as células do ouvido responsáveis pelas frequências altas e pelo entendimento da fala. Além disso, dependendo do período de exposição, sons de intensidades superiores a 85 decibéis podem comprometer a capacidade auditiva para sons ambientais e ainda causar o zumbido – sensação de chiado ou apito constante no ouvido – que não tem cura e atinge cerca de 278 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 28 milhões só no Brasil.
Este foi o caso de João Paulo de Morais Batista, de 23 anos, estudante de engenharia de Sorocaba. Após comemorar o Carnaval de 2009 com a família atrás dos trios elétricos, o jovem percebeu que algo incomodava o ouvido esquerdo. Com o tempo, uma dificuldade auditiva começou a aparecer. Mesmo assim, João acreditou que eram sintomas passageiros. “Só em 2010, um ano depois daquele Carnaval, procurei um médico e descobri que precisava de aparelho auditivo”, conta. Para evitar histórias como a de João, é preciso ter cautela e saber se proteger. 

“Hoje, existem tampões de silicone e protetores auri-culares com filtros que deixam passar o som da fala e reduzem a entrada de ruídos”, explica Sandra. Os tampões podem ser mais efetivos quando confeccionados a partir de uma pré-moldagem personalizada, de forma a bloquear o canal auditivo e reduzir a intensidade sonora.

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a poluição sonora a terceira maior do meio ambiente. Algumas pesquisas ainda mostram que o ruído fora de controle constitui um dos agentes mais nocivos à saúde humana, causando perda da audição, zumbido, distúrbios do labirinto, ansiedade, nervosismo, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e até impotência sexual.

Por Marcos Paulino

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