Mente Sadia: Reiniciar o ano
Março 12, 2011 Nenhum comentário
Parece que o ano tem dois inícios, um após o Natal, com a virada para o Ano Novo, outro, após o Carnaval.
Há pessoas que dizem ser indiferentes a datas, pois continua tudo a mesma coisa – coitadas –, outras se adaptam às mudanças. Outras se queixam contra aquilo que não está em seu controle.
Fato é que, após o Carnaval, uma boa parcela da população realmente “cai na real”, se dá conta dos compromissos, dos impostos, da declaração de Renda, de uma nova rotina. Alguns, com criatividade, senso de responsabilidade, se planejaram para este novo momento e o administram tranquilamente, pois tudo está sob controle. Outros ficam nervosos, irritadiços, como se estivessem diante de algo não vivido e não experimentado; reagem emocionalmente às “obrigações” chegando a soma-tizar (perder o sono, fazer gastrite), ficando tensos.
Há também aqueles que não se preocuparam, não se preocupam e não se preocuparão, seguem a filosofia do Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. São aqueles que, endividados ou não, continuam desfrutando dos prazeres da vida, pouco se lixando com os credores que aguardam recebimento, com aqueles à sua volta que esperam atitudes mais responsáveis. Espectadores estes que sofrem em vão, por aqueles que não estão nem aí.
Assim caminha a humanidade, cada vez mais explicitando sua diversidade de comportamentos, colocando em xeque os antigos padrões e valores.
Não dá pra dizer simplesmente que está pior, ou melhor. O que podemos perceber é que há um movimento, o qual carrega consigo mudanças. Se compararmos aspectos, sim, aí poderemos identificar no passado e no presente coisas que diremos: isto piorou. Por exemplo: o medo que se tinha no passado, principalmente sentido pelas crianças, o qual desaparecia com o tempo, era de coisas folclóricas, como o lobisomem, o saci, os fantasmas. Hoje temos medos que não passam (de que nos roubem, dos assaltos, sequestros, vivemos em estado de alerta, desconfiados).
Por outro lado, melhorou a desigualdade social, o acesso aos bens de consumo, a acessibilidade à educação para todos, as oportunidades de trabalho. As relações passaram a ser mais igualitárias etc.
Portanto, há sim aspectos no passado que deixaram lamentavelmente de existir, mas não podemos, e nem devemos deixar, por saudosismo, de usufruir os benefícios da atualidade. Realmente o mundo não é mais e não será como era há 20, 30, 40 anos, e não voltará a sê-lo. O que podemos fazer para nosso bem é nos adaptar a esta “roda viva”, contribuindo com aquilo que acreditamos trazer benefícios para a humanidade, e absorvendo o que identificamos ser útil para nossa individualidade.
