Mente Sadia: Borderline
Março 5, 2011 Nenhum comentárioUma leitora escreve pedindo mais informações sobre os pacientes Borderlines. Como o comentário pode ajudar outras pessoas que também levantaram dúvidas, estarei, passo a passo, respondendo suas perguntas.
1) A pessoa admite, tem consciência do problema?
Geralmente, não. Projetam nos outros suas dificuldades e agem como vítimas. Quando confrontadas com os exageros cometidos, até se deprimem, mas não é a depressão elaborativa.
2) A pessoa que faz tratamento medicamentoso com Venlafaxina e Rivotril melhora?
Esses medicamentos são utilizados para Depressão e Ansiedade, podendo diminuir os “efeitos colaterais” da personalidade Borderline, mas não tratam o problema em si.
3) Se a pessoa não admite o que tem, pode o médico identificar o problema?
Em primeiro lugar, o médico tem formação que o instrumentaliza a diagnosticar os problemas de seus pacientes, podendo se equivocar, mas corrigir a conduta ao longo do tratamento. Complica o caso da industrialização da medicina, com consultas rápidas sem a escuta necessária do paciente e de seus acompanhantes.
4) Como os familiares devem agir quando a pessoa tem “crise”? Reagir ou ficar quietos, manter a calma e esquecer o assunto?
No momento, não entrar em sintonia, não discutir, pois a pessoa está cheia de verdades. Em nada adianta o confronto nesse momento. Ela tem os motivos dela para explodir e acredita neles. O melhor é esperar a poeira baixar e, aí sim, com sabedoria, mostrar as incoerências das atitudes, os exageros, as distorções.
Costumo dizer: quando o bicho está machucado, melhor tomar cuidado ao por a mão nele.
Pela dor, pode está fora de si e morder. Se quiser ajudar, não deve “esquecer” – se é que esquece – e sim retomar, não a briga, mas os comportamentos inadequados, assinalando o quão desagradável é lidar com uma situação desta, e na próxima consulta ao médico, ir junto para ajudar no esclarecimento das questões.
Lembrando: só os medicamentos não dão conta de tudo; há “defeitos” originados em relações humanas que só podem ser “corrigidos” com um trabalho terapêutico humano presencial.
