Francamente: Barak Obama e Walter Williams

Março 26, 2011 Nenhum comentário

Barak Obama passou o último final de semana no Brasil, onde deu show de retórica e simpatia. Fez um discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro que alguns críticos consideraram um tanto supérfluo, mas que a mim pareceu bastante adequado. O presidente dos Estados Unidos mostrou que estudou o Brasil antes da visita e fez várias referências à nossa cultura durante os 22 minutos em que falou para um público de convidados.

Além dos encontros protocolares em Brasília, Obama também visitou a Cidade de Deus no Rio, onde assistiu, como não poderia deixar de ser, a apresentações de crianças chutando bola e dançando a capoeira. Mostrou-se sorridente e atencioso em todas essas ocasiões, assim como a primeira-dama norte-americana, Michelle.

Tudo isso foi exibido com riqueza de detalhes e imagens pelas emissoras de TV. Mas me chamou a atenção o fato de que, em muitos dos relatos de repórteres e comentaristas, o nome de Obama era seguido do aposto “o primeiro presidente negro dos Estados Unidos”. Se por um lado lembrar disso é interessante, porque mostra que hoje é um negro que ocupa aquela que seja talvez a cadeira mais importante do mundo, por outro deixa claro que está longe o dia em que deixaremos de ser brancos ou negros, para nos tornar simplesmente seres humanos.

Isso me remete a uma exemplar entrevista concedida pelo economista norte-americano negro Walter Williams a uma recente edição da revista “Veja”. Nela, ele, que leciona economia em uma universidade e acaba de lançar uma autobiografia, analisa a situação atual dos negros, em várias áreas. Até pelo meu contato profissional diário com os temas relacionados aos vestibulares, chamou-me a atenção, nessa entrevista, o trecho em que Williams critica o sistema de cotas para ingresso no ensino superior.

Sempre tive dificuldade para formar uma opinião sobre o tema, pois enxergo pontos positivos e negativos na reserva de vagas para negros. Williams, porém, foi taxativo: “Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar a classificação racial é um mau caminho”.

Defendendo que o caminho não são as cotas, mas sim a educação de qualidade para todos, Williams afirma que “ a diferença de desempenho acadêmico entre negros e brancos é dramática, mas não resulta da discriminação”. Ele lembra que as cotas raciais acabam, por fim, colocando a competência dos negros em dúvida.

Na entrevista, o economista também explica por que considera a expressão “afro-americano” uma “idiotice”: “Nem todos os africanos são negros”. Para quem não leu, recomendo.

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